7 infecções sexualmente transmissíveis comuns no Carnaval

Veja as formas de transmissão e como se proteger de cada uma delas

Publicado em 27/02/2025 às 12:27
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As Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) são doenças causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos que são transmitidos principalmente pelo contato sexual sem proteção, podendo afetar tanto homens quanto mulheres. Entre as mais comuns estão sífilis, gonorreia, herpes genital, HPV e HIV. Durante o Carnaval, o número de casos tende a aumentar devido ao aumento das interações sociais, do consumo de álcool e outras substâncias, além da maior frequência de relações sexuais casuais sem o uso de preservativo.

As ISTs podem ser assintomáticas ou apresentar sintomas inespecíficos, o que dificulta o diagnóstico precoce. Para Raquel Xavier de Souza Saito, doutora e professora do Curso de Enfermagem da Faculdade Santa Marcelina, é necessário ficar em alerta. “É essencial estar atento a quaisquer alterações genitais ou sintomas sistêmicos e buscar atendimento médico para o diagnóstico necessário”, explica.

Abaixo, a especialista lista os principais sintomas das ISTs. Confira!

1. HIV (AIDS)

O HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) é um vírus que ataca o sistema imunológico, comprometendo a defesa do organismo contra infecções e doenças. Quando não tratado, pode evoluir para a AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), estágio avançado da infecção em que o corpo se torna extremamente vulnerável a infecções oportunistas e outros problemas de saúde.

O HIV é transmitido principalmente pelo contato com fluidos corporais contaminados, como sangue, sêmen, secreções vaginais e leite materno, sendo a principal forma de transmissão as relações sexuais desprotegidas. Veja os sintomas:

  • Fase aguda: febre, cansaço, dor de garganta, suores noturnos e ínguas inchadas;
  • Fase crônica: pode ser assintomática por anos;
  • Fase avançada (AIDS): perda de peso, infecções oportunistas, lesões na pele.

Apesar de não ter cura, o tratamento com antirretrovirais permite que pessoas vivendo com HIV tenham qualidade de vida e evitem a transmissão do vírus.

2. Sífilis

A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum, que pode afetar diversos órgãos do corpo se não for tratada corretamente. A transmissão ocorre principalmente por contato sexual sem proteção ou da mãe para o bebê durante a gestação, podendo resultar em sífilis congênita. Veja os sintomas:

  • Sífilis primária: úlcera indolor na região genital, oral ou anal;
  • Sífilis secundária: manchas no corpo, febre, ínguas inchadas;
  • Sífilis terciária: pode afetar o coração, cérebro e sistema nervoso.

O tratamento é feito com antibióticos, geralmente a penicilina, sendo essencial o diagnóstico precoce para evitar complicações.

3. Gonorreia e clamídia

A gonorreia e a clamídia são infecções sexualmente transmissíveis causadas por bactérias e que afetam principalmente os órgãos genitais, mas também podem atingir outras partes do corpo, como garganta e olhos. A gonorreia é provocada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, enquanto a clamídia é causada pela Chlamydia trachomatis. A transmissão ocorre principalmente pelo contato sexual sem proteção, e o tratamento é feito com antibióticos específicos.

  • Sintomas: corrimento amarelado ou esverdeado, ardência ao urinar, dor pélvica (em mulheres) e dor testicular (em homens).
Tablet com sigla HPV em cima de mesa de madeira
O HPV pode evoluir para câncer de colo do útero (Imagem: Visual Generation | Shutterstock)

4. HPV

O HPV (Papilomavírus Humano) é um vírus que infecta a pele e as mucosas, sendo uma das Infecções Sexualmente Transmissíveis mais comuns no mundo. A transmissão ocorre principalmente pelo contato direto com a pele ou mucosas infectadas durante relações sexuais sem proteção. Embora muitas infecções sejam eliminadas naturalmente pelo organismo, algumas podem persistir e causar complicações.

  • Sintomas: verrugas genitais indolores. Em alguns casos, pode evoluir para câncer de colo do útero, ânus e orofaringe.

A prevenção inclui o uso de preservativos e a vacinação, que é altamente eficaz contra os tipos mais perigosos do vírus.

5. Herpes genital (HSV-1 e HSV-2)

O herpes genital é causado pelo vírus do herpes simples (HSV), que possui dois tipos: HSV-1 e HSV-2. O HSV-1 é mais comumente associado ao herpes labial, mas também pode causar infecções genitais, enquanto o HSV-2 é a principal causa do herpes genital. O vírus permanece no organismo de forma latente e pode ser reativado em momentos de baixa imunidade ou estresse. A transmissão ocorre pelo contato direto com lesões ou fluidos corporais infectados, principalmente durante relações sexuais sem proteção.

  • Sintomas: pequenas bolhas dolorosas na região genital ou oral. Coceira, ardência e dor ao urinar.

Embora não tenha cura, o herpes genital pode ser controlado com antivirais, reduzindo a frequência e a intensidade dos surtos.

6. Hepatite B e C

São doenças inflamatórias do fígado causadas pelos vírus HBV (Hepatite B) e HCV (Hepatite C), respectivamente. A hepatite B é transmitida principalmente pelo contato com sangue, secreções corporais e relações sexuais sem proteção, além da transmissão de mãe para filho no parto. A hepatite C é majoritariamente transmitida pelo contato com sangue contaminado, sendo mais comum em transfusões antigas, compartilhamento de seringas e materiais perfurocortantes.

  • Sintomas: fadiga, dor abdominal, pele e olhos amarelados (icterícia). Em casos crônicos, pode levar à cirrose e câncer hepático.

A hepatite B pode ser prevenida com vacina, enquanto a hepatite C não possui imunização, mas tem tratamento eficaz com antivirais que podem levar à cura.

7. Tricomoníase

A tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis, que afeta principalmente o trato genital. Embora seja mais comum em mulheres, os homens também podem ser infectados, geralmente sem apresentar sintomas. A transmissão ocorre por meio do contato sexual sem proteção com uma pessoa infectada.

  • Sintomas: corrimento esverdeado com odor forte, coceira e irritação vaginal.

O tratamento é feito com antibióticos específicos, sendo essencial que ambos os parceiros realizem o tratamento para evitar a reinfecção. O uso de preservativos é a melhor forma de prevenção.

Prevenção contra ISTs no Carnaval

A melhor forma de prevenir as Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) durante o Carnaval é adotar práticas seguras e responsáveis. O uso de preservativos em todas as relações sexuais, tanto vaginais, anais quanto orais, é a principal medida de proteção contra vírus e bactérias transmitidos pelo contato íntimo.

Além disso, a vacinação contra HPV e hepatite B é uma forma eficaz de evitar essas infecções. Fazer testes regulares para ISTs antes e depois do período festivo ajuda a identificar e tratar possíveis infecções precocemente. Também é importante evitar o compartilhamento de objetos pessoais, como lâminas e seringas, e ter atenção ao consumo de álcool e outras substâncias, que podem levar à negligência no uso do preservativo.

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