Eleições

Após campanha morna, população de Caruaru vai às urnas neste domingo para decidir futuro da cidade

Eleitores decidem se haverá continuidade ou troca na gestão

Ana Maria Santiago de Miranda
Ana Maria Santiago de Miranda
Publicado em 15/11/2020 às 7:01
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Reprodução/TV Jornal Interior
FOTO: Reprodução/TV Jornal Interior
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A população de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, vai às urnas neste domingo (15) para decidir quem será o próximo gestor do município. Em uma campanha marcada por ataques à atual prefeita, Raquel Lyra (PSDB), os oponentes se esforçaram com o objetivo de levar a disputa ao segundo turno, que aconteceu pela primeira vez na história em 2016. Na ocasião, Raquel enfrentou o deputado estadual Tony Gel (MDB). Nas últimas semanas, a psdbista tentou driblar as críticas e provar para o eleitor que merece mais quatro anos à frente do Executivo.

Durante a campanha, Raquel Lyra, que foi a primeira mulher eleita prefeita na cidade, procurou mostrar as ações e obras realizadas, e colocou na conta da pandemia da covid-19 as promessas que não conseguiu cumprir, a exemplo da abertura de 8 mil vagas de creche e da transferência da Feira da Sulanca de graça para o sulanqueiro. As atuais propostas têm foco tanto na continuidade das ações como no pós-pandemia, principalmente nas áreas econômica e educacional. Na campanha, chamou a atenção a falta de participação da gestora nos debates realizados pelos veículos de comunicação.

A candidata conta com o apoio de figuras como o pai, o ex-governador João Lyra Neto (PSDB), e o ex-ministro do Desenvolvimento Armando Monteiro Neto (PTB). Na campanha de 2020, Raquel perdeu o apoio do ex-prefeito José Queiroz (PDT), que em 2016 esteve em seu palanque no segundo turno, e hoje apoia, ao lado de Tony Gel, o candidato Marcelo Gomes (PSB).

Marcelo, que é filho do ex-vice-governador Jorge Gomes (PSB), é o candidato que mais conta com o apoio de grandes figuras políticas, como o governador Paulo Câmara (PSB), o senador Jarbas Vasconcelos (MDB), o deputado estadual Tony Gel (MDB), entre outros. Este ano, Marcelo encerra mandato na Câmara de Vereadores do município. Ele integrou a oposição à gestão Raquel Lyra na Casa Jornalista José Carlos Florêncio. Uma das principais propostas do candidato é o Pacto Pelo Emprego, que ele próprio compara ao Pacto Pela Vida do ex-governador Eduardo Campos. A ideia é unir esforços para a recuperação econômica da cidade.

O Delegado Lessa (PP), que em 2018 foi eleito deputado estadual, se candidata à prefeitura pela segunda vez. Em 2016, ficou em terceiro lugar na disputa. Ele é alagoano e ganhou destaque em Caruaru por causa do trabalho como gestor operacional da Diretoria Integrada do Interior 1 (Dinter-1). A Operação Ponto Final, que prendeu vereadores suspeitos de integrar um esquema de corrupção, alavancou sua imagem no âmbito local. Na campanha, Lessa focou na segurança pública e em ações voltadas para a periferia, como saneamento básico e calçamento. Apesar de ter na chapa o candidato a vice bolsonarista Manoel da Cazanova (PSL), Lessa evitou associar a imagem à do presidente da República.

O administrador Raffiê Dellon (PSD) é o mais jovem da disputa e nunca exerceu cargo eletivo. Na última eleição municipal, ele fez parte da chapa de Tony Gel como candidato a vice-prefeito. Dellon foi gerente regional da Junta Comercial de Pernambuco (Jucepe) em Caruaru e diretor da 4ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran), e destacou ações realizadas nestes órgãos durante os debates. Apesar de demonstrar bastante conhecimento com relação às necessidades do município, não tem grandes apoios políticos, nem recursos. Ele fez uma campanha baseada nas raízes culturais do município, e destacou questões como educação e saneamento básico.

O advogado Marcelo Rodrigues (PT) foi um dos que fez críticas mais duras à atual gestão durante a campanha eleitoral. Uma de suas propostas é um microcrédito para os trabalhadores informais e microempreendedores no pós-pandemia. Ele também destacou a questão do abastecimento de água, e prometeu romper o contrato do município com a Compesa, caso o calendário de fornecimento de água não seja cumprido. No guia eleitoral, Rodrigues destacou a imagem do ex-presidente Lula (PT) e do ex-ministro Fernando Haddad (PT), evidenciando as ações dos governos petistas para a população do interior do Nordeste.

O também advogado Rafael Wanderley (UP) enfrentou o desconhecimento do partido, reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) há menos de um ano, e a falta de tempo de televisão e rádio para levar as propostas à sociedade. Nas redes sociais, a campanha dele foi voltada para questões ambientais, defesa dos trabalhadores, entre outros. Uma de suas propostas é realizar um plebiscito para decidir se a feira deve ser transferida ou não.

Análise

O analista político Fernando Andrade elencou a ausência de candidatos históricos na disputa pela prefeitura de Caruaru e a pandemia da covid-19 como diferenciais da eleição deste ano: "Nós tivemos uma campanha morna, com poucos embates, poucos debates, e isso foi refletido também no comportamento do eleitor, que foi logo escolhendo um dos lados, e também reflete esse período de pandemia e de distanciamento. Quando a gente imaginava que seria uma campanha difícil, complicada e talvez uma das mais disputadas da história, a própria ausência daqueles políticos tradicionais tornou a disputa um pouco monótona e muito morna".

Apesar disto, Andrade ressaltou o alto nível da campanha: "São candidatos instruídos, formados em nível superior, então são pessoas de fino trato. Isso foi muito importante porque não houve aquele debate rasteiro, com palavras de baixo calão ou desrespeitoso". O analista político reforçou ainda a necessidade de os eleitores se atentarem aos candidatos que têm propostas possíveis de serem realizadas. "O prefeito (a) que for eleito enfrentará um grande problema econômico pós-pandemia, ou até mesmo uma segunda onda de pandemia. Enfrentará uma economia debilitada, pessoas desempregadas, muitas delas vivendo do auxílio emergencial do Governo Federal e esses problemas foram pouco explorados na campanha e com poucas proposições efetivas, reais de resolução".

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