CULTURA

Massacre do Carandiru no teatro

Myllena Valença
Myllena Valença
Publicado em 12/07/2010 às 15:02
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Quem conheceu a realidade do sistema prisional brasileiro nas páginas do livro Estação Carandiru, de Drauzio Varella, ou assistiu ao filme homônimo de Hector Babenco nas telas de cinema poderá ver mais cenas da trama no espetáculo 111, em cartaz a partir do dia 16 no Teatro Rui Limeira Rosal, no Sesc Caruaru. Novo trabalho da trupe Alumiarmente, a peça será encenada na Capital do Agreste até o dia 30 deste mês.

Com texto e direção do ator e diretor caruaruense Emerson Deyvison, a temática ganha nova perspectiva. “Depois de um estudo aprofundado, baseado não só em Estação Carandiru, como também na obra Salmo 91, de Dib Carneiro, além de depoimentos de detentos, adaptei os fatos a uma linguagem lúdica e teatral”, explica o diretor. “O intuito da peça é provocar o pensamento crítico dos espectadores, trazendo à tona acontecimentos reais que atingem direta ou indiretamente nossa sociedade”, acrescentou.

GRITO DE SOCORRO - Emerson explica que este tema já foi usado em outros trabalhos, mas este espetáculo, especificamente, aborda uma ótica ainda não explorada. “O ator contracena diretamente com o áudio-visual, fazendo assim uma junção entre teatro e cinema. Acredito que a plateia vai refletir sobre este problema social extremamente preocupante”, pontuou.

Segundo o diretor, o espetáculo será uma espécie de utilidade pública. “O trabalho é um grito de socorro dos detentos para o alvo principal: o espectador”, disse Emerson. Ele acredita que as cenas apresentadas ao público serão esclarecedoras. “Uma sociedade civil pode opinar, questionar as leis e exigir das autoridades um sistema prisional mais íntegro, mais eficiente e coerente”, opina.

“O espetáculo é um ponto de questionamento social e fará com que possamos refletir em como uma sociedade pode ter programas de ressocialização efetivos. Diminuir a criminalidade e principalmente o preconceito com relação aos detentos é dever nosso e vamos fazê-lo por meio da arte”, completa o ator Wagnner Sales, que compõe o elenco do espetáculo com Amanda Priscila, Zilda Cardoso, Juan Carlos, Cássio Yuri e Ronaldo Leal.

A estreia da peça vai contar com apresentação musical de Toni Maciel. Para dar mais realismo ao trabalho, durante parte da encenação serão inseridas reportagens veiculadas na época do massacre.

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