Espetáculos

"Africanidade" é tema do 27º Festival de Teatro do Agreste

Ana Maria Santiago de Miranda
Ana Maria Santiago de Miranda
Publicado em 18/10/2017 às 10:50
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Abertura do Feteag em Caruaru terá o espetáculo "Amêsa", no Teatro Rui Limeira Rosal, no Sesc
Foto: divulgação

O 27º Festival de Teatro do Agreste (Feteag) começa nesta quinta-feira (19) e segue até o dia 29 de outubro em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Este ano, o tema é a "Africanidade" e o festival recebe espetáculos de Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, Alagoas e São Paulo. O evento é realizado pelo grupo Teatro Experimental de Arte (TEA) e a entrada é gratuita.

Além dos espetáculos, a programação conta com debates e seminário. As atividades do festival acontecem no Teatro Rui Limeira Rosal, no Sesc Caruaru, em espaços como casas e apartamentos residenciais, salões de associações de moradores de bairros periféricos, distritos da zona rural da cidade e no Marco Zero.

As discussões abordam preconceitos, identidade, branquitude/negritude, ancestralidade e história. O tema da Africanidade trata ainda da herança cultural negra presente na sociedade, como bases da formação do Brasil como nação.

O 27º Feteag conta com o patrocínio da Prefeitura de Caruaru, incentivo do Funcultura e apoio da Caixa Econômica Federal, Goethe Institut (Alemanha), Prohelvetia (Suíça), Institut François (França), SESC Pernambuco e Prefeitura do Recife. A primeira edição do festival foi realizada há 36 anos, em 1981. O evento passou alguns anos sem poder ser realizado por falta de parcerias.

Le Cargo (A Carga) será apresentada no dia 21 de outubro
Foto: divulgação

Alunos de escolas da rede municipal de ensino serão levados para assistir as apresentações na Mostra Estudantil de Espetáculos. O evento conta ainda com a mostra Nacional/Internacional de Espetáculos Adultos (com sessões descentralizadas por bairros e zona rural) e um seminário com o tema "Africanidades, Cultura e Resistência".

Os ingressos para os espetáculos devem ser retirados na bilheteria do teatro, a partir de 1h antes de cada sessão. É possível fazer reserva de entrada para a Mostra Profissional pelo site www.feteag.com.br. As inscrições para participar do espetáculo Brasil em Casa: Home Visit Caruaru também devem ser feitas antecipadamente pelo site.

Confira a programação da primeira semana:

19 de outubro (quinta-feira), às 20h, no Teatro Rui Limeira Rosal (SESC Caruaru)

Amêsa (Heloísa Jorge Angola/Brasil)
A montagem é uma vivência que tem como provocação base o texto do dramaturgo angolano José Mena Abrantes, Amêsa ou A Canção do Desespero. De forma poética, conta um século da história de Angola pela perspectiva do feminino. A memória da personagem Amêsa, com suas perdas e dores, traz para a cena símbolos essenciais da mitologia da mulher, ao mesmo tempo que representa questões de um coletivo atingido pela guerra. Heloísa Jorge, atriz natural de Angola, é radicada no Brasil desde os 12 anos e graduou-se em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia. O espetáculo conta com músicas do angolano Wyza Kendy.

20 de outubro (sexta-feira), às 20h, no Teatro Rui Limeira Rosal (SESC Caruaru)

Black Off (Ntando Cele África do Sul) *Com legenda em português
O espetáculo, para maiores de 18 anos, aborda e enfrenta estereótipos racistas. Na primeira parte, a performer e atriz Ntando Cele assume o seu alter ego intitulado Bianca White, uma comediante sul-africana, viajante do mundo e filantropa, que julga saber tudo sobre negros e ainda quer ajudá-los a superar a sua escuridão interior. Na segunda parte, a atriz lida com estereótipos de mulheres negras e tenta descobrir como o público a vê. A provocante obra faz uma mistura de comédia stand-up, concerto de rock há uma banda em cena e performance, sendo uma coprodução com o PRAIRIE, modelo de coprodução do Migros Culture Percentage para companhias de teatro e dança inovadoras da Suíça.

21 de outubro (sábado), às 20h, no Teatro Rui Limeira Rosal (SESC Caruaru)

Le Cargo (A Carga) (Faustin Linyekula República Democrática do Congo)
Durante a última década, Faustin Linyekula tem contado histórias do Congo, de corpos e destinos violentados e abusados, irremediavelmente marcados pela grande História. Mas como deixar de lado as palavras para falar sobre a memória de um corpo? Nesse caminho, em busca de si próprio, o performer partiu em busca de movimentos que já não se dançam mais: danças proibidas pelo deus do milagre e do despertar espiritual. Este espetáculo circula com o apoio do programa TransARTE, do Institut Français, selo que desde 2012 promove a circulação de propostas artísticas híbridas, estendendo os limites da arte contemporânea.

22 de outubro (domingo), às 16h, na Comunidade do Boi Tira-Teima

Contes et Legendes du Burkina Faso (Contos e Lendas de Burkina Faso) (François Moïse Bamba Burkina Faso) *Com tradução simultânea para o português por Laura Tamiana. Haverá apresentação do Boi Tira-Teima na sequência.
François Moïse Bamba é contador de histórias de Burkina Faso, da casta dos ferreiros, e aprendeu a narrar histórias com seu pai, já tendo publicado diversos livros, principalmente da etnia Sénoufo. O espetáculo, então, é um convite para viajar a Burkina Faso, literalmente "terra dos homens íntegros. Trata-se de uma descoberta dos povos desse país, em que se busca compartilhar suas culturas, suas histórias, suas crenças, seus valores, suas visões de mundo, para que haja um enriquecimento mútuo no respeito pelas nossas diferenças.

22 de outubro, às 20h, no Teatro Rui Limeira Rosal (SESC Caruaru)

Branco O Cheiro do Lírio e do Formol (Alexandre Dal Farra e Janaína Leite São Paulo/SP)
Nesta polêmica obra do dramaturgo Alexandre Dal Farra, com direção dele e de Janaína Leite, uma família de classe média (pai, filho e tia) vive um cotidiano comum até que acontecimentos externos os forçam a lidar com o que existe do lado de fora da casa. A montagem procura jogar um olhar crítico do branco sobre si mesmo, desconstruindo-se enquanto reprodutor do racismo naturalizado e estrutural. Montagem indicada para maiores de 18 anos.

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