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Entrevista Azulão: o "cobrão" do Nordeste

Ana Maria Miranda
Ana Maria Miranda
Publicado em 17/05/2019 às 15:25
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Azulão, pequeno-grande compositor que marcou a história da música nordestina, vive em uma casa no bairro São Francisco, no entorno do Monte Bom Jesus, para o qual escreveu uma de suas músicas mais conhecidas
Foto: Janaína Pepeu/Especial para o SJCC

Aos 77 anos, o caruaruense Azulão, o pequeno-grande compositor que marcou a história da música nordestina, vive em uma casa no bairro São Francisco, no entorno do Monte Bom Jesus, para o qual escreveu uma de suas músicas mais conhecidas. O cantor abriu as portas para receber o JC.

JC Como sua história com a música começou?

AZULÃO - Eu comecei com o inesquecível papai. Papai cantava umas músicas de Luiz Gonzaga e eu achava bonita a voz de seu Luiz. Eu digo: "vou me inspirar em seu Luiz". Aí comecei a cantar Jackson do Pandeiro, Jacinto Silva, Genival Lacerda, Ney Matogrosso, que começaram primeiro do que eu. Comecei a fazer música com 12 anos de idade. Fui para o Rio de Janeiro e levei uma bagagem de umas 50 composições minhas.

Eu comecei vendendo jaca, pitomba, sorvete, picolé, para pagar meus estudos. Eu era de uma família tão pobre que não tinha onde cair morto. Aí fui tomando gosto na partida, gravei o primeiro vinil em 1975. Faz tempo, 75, 76, e por aí vai. O pessoal foi gostando dos meus trabalhos, da minha voz. Ingressei no cenário artístico, até hoje. O pessoal gosta de me ver cantando, e eu acho bom.

JC Qual você considera um dos momentos mais marcantes de sua carreira?

AZULÃO Foi um grande show que fiz no Rio de Janeiro em vias públicas, ficou cheio de gente. Aí me soltei, eu dava cada pinote e o pessoal gostava. Fiquei feliz com isso.

JC Como é a sua relação com o público?

AZULÃO - Eu me sinto bem dialogando com meu povo, com os estudantes, as estudantes, e todo mundo. Eu sou considerado um ídolo, eu sou o ídolo de vocês.

JC Atualmente, você costuma fazer apresentações acompanhado do seu filho Azulinho. Como isso começou?

AZULÃO - Fiz uma surpresa a ele. Num show eu cantando, na metade parei e disse: "gente, vou anunciar um rapaz que vai cantar pela primeira vez aqui e quero que vocês aplaudam ele". Ele começou a cantar, o povo apladiu de pé. Ele já está classificado, tem a voz idêntica à minha quando eu comecei. Quando a gente chega a uma certa idade diminui o timbre de voz.

JC Como você avalia os novos músicos de forró?

AZULÃO - Essa safra de sanfoneiros bons que está surgindo em Caruaru, Recife, Natal... Todos têm seus méritos, mas todos são inspirados em Dominguinhos, Sivuca; são os cobrões antigos, já se foram todos. São bons, têm futuro. Os caras que fazem música bem eu conheço, porque sou cobra criada, mais antigo. O pessoal antigo tem muito saber.

JC O que você acha que deixa de legado para Caruaru?

AZULÃO O meu trabalho para a nossa Caruaru e para todo o Brasil é uma grande satisfação de um cantor que nasceu do nada e hoje é sucesso no mundo inteiro

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