É preciso mexer na seleção antes que o caldo azede

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Nessa terça-feira (15), pela primeira vez assisti a um jogo do Brasil de Copa do Mundo num quarto de hospital. Calma, nada me aconteceu. Minha filha está bem pertinho de nascer e provocando muitas contrações na mãe. Ela teve que ser internada e está em observação, mas nada grave. Como um bom marido, fiquei ao lado dela assistindo à estreia de nossa seleção.

O jogo começou e a ansiedade aumentando em ver o Brasil arrebentar, entretanto não foi bem isso que aconteceu. No primeiro tempo, o futebol apresentado pelo escrete canarinho foi pior que comida de hospital. Sem criatividade, jogadores afobados em chutar de longe e mandando a jabulani pro espaço. Resultado: 0x0. Pensei comigo: “Estes jogadores estão muito nervosos. Quem sabe o professor no intervalo não dá um jeito no time?!”.

Na volta para o segundo tempo, a Seleção começou a se impor mais. Os norte-coreanos fechados na retranca. E minha mulher comendo um lanchinho trazido pela enfermeira.

Ela me ofereceu, mas recusei, claro, tinha que estar atento ao jogo e não podia me distrair com comida do hospital. Até que saiu o primeiro gol brasileiro. Vibrei muito, só não pude gritar já que estava em uma unidade de saúde. Veio o segundo e pensei: “Vem goleada por aí. Dunga deve ter dado aos jogadores aquele cuscuz amarelinho”.

Mas aí o efeito passou rápido. Os brasileiros relaxaram e acabaram levando um gol da “toda poderosa” Coréia do Norte. No fim, a vitória valeu três pontos, mas não me convenceu. Essa história de que “estreia é sempre assim, os jogadores sentem a responsabilidade de defender a camisa do Brasil e blá, blá, blá” é conversa mole. Se nossa seleção jogar deste jeito contra Costa do Marfim e Portugal, corre o risco de virar panqueca e voltar mais cedo pra casa.



Dunga até que fez a parte dele com o que tinha. Mexeu no segundo tempo, colocou o bom Daniel Alves e o ótimo Nilmar, mas é pouco para o que ele poderia ter à disposição. Deixou fora da lista final jogadores que poderiam fazer a diferença em campo.

Antes que o caldo azede, é melhor dar uma sacudida nesse time enquanto há tempo. A vitória na próxima partida contra os africanos de Costa do Marfim é primordial. Outro resultado que não seja a vitória farei questão de que os nossos atletas recebam, em vez de um cuscuz amarelinho, uma porção da comida verde do hospital.

Um abraço e até a próxima!

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