SÉRIE B

NÁUTICO: Anulação de empate contra Tombense pela Série B é considerada; entenda motivos

Pela Série B, o Náutico empatou com o Tombense em uma partida marcada por decisões polêmicas da arbitragem

Gabriel Neukranz
Gabriel Neukranz
Publicado em 27/06/2022 às 11:26 | Atualizado em 27/06/2022 às 11:28
CHARLES JOHNSON/JC IMAGEM
Jean Carlos e Rhaldney, meio-campistas do Náutico - FOTO: CHARLES JOHNSON/JC IMAGEM
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 Pela Série B, o Náutico empatou com o Tombense em uma partida marcada por decisões polêmicas da arbitragem. O jogo desse domingo (26), válido pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro, terminou empatado em 1x1, o que fez com que o Timbu continuasse no Z4. 

Com bola rolando, houveram dois lances cruciais marcados contra o Náutico no jogo, ambos no segundo tempo. O gol do empate do Tombense foi marcado no último lance da partida, após pênalti em um lance polêmico, quando o Timbu vencia por 1x0 e com um jogador a menos em campo.

Expulsão do Náutico

O jogador a menos em questão foi o goleiro Lucas Perri, expulso aos nove minutos do segundo tempo após escorregar ao cobrar uma falta para o Timbu. No lance, o arqueiro encostou duas vezes na bola para impedir uma chance clara de gol ocasionada pelo escorregão.

Em um primeiro momento, o árbitro de campo, Leonardo Willers Lorenzatto, aplicou o cartão amarelo ao goleiro pela infração. Chamado pelo VAR, este liderado por Leone Carvalho Rocha, a cor da advertência foi alterada e Lucas Perri terminou expulso pelos dois toques na cobrança de falta. 

Lucas Perri deveria ser expulso?

Um detalhe crucial e não levado em conta nas decisões dos árbitros de campo e de vídeo é que o primeiro toque de Lucas Perri na bola, provocado pelo escorregão, foi com o seu joelho. E, segundo Regra 13 do Futebol, a bola só entrará em jogo "quando for chutada e se mover claramente".

Segundo Renata Ruel, ex-árbitra e comentarista dos canais ESPN, o lance sequer deveria ser convertido em falta para o Tombense.

"No lance da expulsão do Lucas Perri, pelo Náutico, a bola entrará em jogo quando for chutada e se mover claramente, e dentro do futebol o chute só pode ser com o pé. Quando o jogador toca com o joelho na bola, o reinício do jogo não foi em conformidade com a regra", explicou.

"Desta forma, o tiro livre deveria ser repetido e não marcada infração a favor na Tombense e ter sido aplicado o cartão vermelho. Isso, para mim, mostra desconhecimento da regra por parte da arbitragem em campo e do VAR", completou Renata.

Anulação de Tombense 1x1 Náutico?

Andrei Kampff, jornalista e advogado especialista em direito desportivo, acredita que a expulsão de Lucas Perri se caracteriza como erro de direito, algo que viola as regras do esporte.

"Erro de fato é quando o árbitro interpreta um lance de maneira equivocada. O impedimento é um exemplo comum. Erro de direito é aquele que vai contra as regras do jogo. Juiz conta e deixa doze jogadores atuando em um time, por exemplo. Só o erro de direito dá causa a anulação de uma partida".

Segundo o 1º parágrafo do art. 259 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), "a partida, prova ou equivalente poderá ser anulada se ocorrer, comprovadamente, erro de direito relevante o suficiente para alterar seu resultado".

"Como a regra determina que, para bola ser colocada em jogo é preciso que o movimento seja feito com o pé, isso poderia caracterizar um erro de direito, se o primeiro toque foi mesmo dado ocasionalmente pelo joelho", corrobora o também advogado especializado em direito desportivo, Filipe Souza.

Contraponto à anulação do jogo

Para o Náutico conseguir anular a partida contra o Tombense, precisará convencer que o erro de direito em questão influenciou de forma direta o resultado final do jogo. 

"Pessoalmente, entendo que a expulsão indevida de um atleta, especialmente a de um goleiro, afeta diretamente a competitividade de um time, principalmente com 40 minutos ainda por jogar. Sendo assim, entendo que a partida deva ser anulada e a equipe de arbitragem punida", diz Vinícius Loureiro, colunista do blog Lei em Campo, do UOL.

Para Kampff, a primeira discussão será a respeito da interpretação quanto à bola ter sido chutada ou não. Resolvida esta questão, o debate passará a ser em volta da parte final do art. 259 do CBJD, que reflete se o erro de direito em questão foi relevante o suficiente para alterar o resultado do jogo.

Ainda segundo ele: "A anulação de partida por Tribunal é algo raríssimo, já que o esporte tem como principio o pro competitione, que é o princípio da estabilidade das competições".

Federação de Futebol de Pernambuco se pronuncia sobre erros de arbitragem 

Confira a nota oficial da Federação de Futebol de Pernambuco (FPF) a respeito da arbitragem no empate do Náutico diante do Tombense pela Série B do Brasileirão.

"Através desta, comunicamos que a Federação Pernambucana de Futebol fez uma representação formal, perante a Comissão Nacional de Arbitragem, contra os erros técnicos do árbitro de campo e contra o erro de assistência do VAR, que não chamou o árbitro para rever o lance do pênalti inexistente na partida entre Tombense e Náutico, nesse domingo (25), pelo Campeonato Brasileiro Série B.

Informamos, também, que, após contatos ainda ontem à tarde, do Presidente Evandro Carvalho com o Presidente da Comissão Nacional de Arbitragem, Wilson Seneme, a FPF agendou uma reunião com o Presidente do Náutico, Diógenes Braga, para as 13h de hoje, no Rio de Janeiro.

A Federacão Pernambucana de Futebol repudia a péssima atuação do árbitro Leonardo Willers Lorenzatto e do VAR no jogo do domingo em Muriaé. Reforçamos também que não medimos esforços para defender nossos filiados".

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