Sobre muros e gatos

Por Igor Maciel
Por Igor Maciel
Publicado em 15/06/2010 às 14:43
NOTÍCIA
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Rousseau era um pensador prático. Dizia que a origem da corrupção estava no fim da escravidão. Os homens que antes se preocupavam com política e deixavam o trabalho com os servos agora precisavam trabalhar.

Prático e lógico para a época. Mas simplista demais para a nossa sociedade atual. Afinal, o direito à informação está na Constituição Federal. E através dele a população pode cobrar políticas públicas ou pressionar o poder constituído, pode modificá-lo pelo voto. A informação passada pelos meios de comunicação é essencial para isso.

Mas há os que não gostam de se envolver. Dizem que os gatos vivem por cima dos muros porque de um lado há cachorros; do outro, há pessoas. E todos são perigosos, se não forem gatos.Caruaru e Garanhuns não podem ser encarados como exemplos de corrupção, mas como demonstração de que o povo cansou de ser roubado, de ser enganado



Caruaru e Garanhuns vivem momentos distintos, mas próximos em suas dinâmicas políticas. A justiça na capital do Agreste está processando criminalmente um ex-prefeito. A suíça pernambucana está ainda digerindo as denúncias sobre desvios de verbas e fraudes publicadas na imprensa recentemente.

Vale fazer a famosa pergunta “Tostines”: A corrupção aumentou ou nós estamos identificando e a combatendo melhor? A imprensa está se modificando na região e a consciência do povo também.

A verdade é que o célebre “rouba, mas faz” já não tem lugar na política nem na sociedade atual. Caruaru e Garanhuns não podem ser encarados como exemplos de corrupção, mas como demonstração de que o povo cansou de ser roubado, de ser enganado.

Não se sabe, ao certo, de quanto dinheiro se fala nos desvios praticados em Caruaru, que estão na justiça. Em Garanhuns, referente ao processo da reforma de uma ponte, o prejuízo chegou a quase R$ 19 mil. É pouco? Não importa; é dinheiro do povo.

É o dinheiro suado que o trabalhador gasta em impostos na hora em que compra um quilo de feijão. Ali tem imposto. E aquilo é para construir escolas, postos de saúde e até para reformar pontes, desde que a reforma aconteça.

O Brasil é um país rico, consumido pela corrupção e onde os meios de comunicação, que deveriam ser uma salvaguarda contra o que Rousseau apontou, vivem calados, em sua maioria, escondidos atrás das notícias.

Não se pode ser imparcial ficando calado para não fazer escolhas porque todo muro tem três lados: o esquerdo, o direito e o de cima. Ficar em cima dele também é uma escolha; também é parcial.

O problema é que as pessoas costumam achar que cada lado desse muro abriga um poder diferente e que o correto é não tomar partido. Não! De um lado, nesse muro, está o poder constituído, eleito para administrar nossas cidades, estados. Do outro lado, está o povo que precisa ser representado por alguém, já que não é representado pela classe política.

É ao lado do povo que a imprensa precisa ficar. Vamos deixar a parte de cima do muro para os gatos.

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