Tragédia

Escuridão e luto em arraiais

Eduardo Machado
Eduardo Machado
Publicado em 25/06/2010 às 8:47
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A motorista Roseana Cristina da Silva, 29 anos, planejava passar a festa junina se divertindo com a família no palhoção montado pela Prefeitura de Barreiros, no Centro, ao som da banda Noda de Caju. A enchente do último sábado acabou com os planos da motorista e transformou a casa dela em abrigo para 33 parentes. A noite de São João de Roseana acabou se resumindo a encher os baldes, dela e dos vizinhos, com água do caminhão-pipa enviado pela Compesa. O arraial de Barreiros, que tinha sido instalado pela Prefeitura no início do mês ficou completamente deserto na quarta-feira (23). A dor causada pela cheia impediu comemorações não só no município, como nas cidades vizinhas de Tamandaré, Rio Formoso e São José da Coroa Grande. “O melhor que a gente tem pra fazer nessa noite e nas próximas é ajudar quem precisa”, disse Roseana.

A poucos metros de onde o carro-pipa aliviava a sede da motorista e seus vizinhos, a comerciante Maria de Fátima da Silva, 47, caminhava em silêncio pelo arraial destruído pela lama. “Ali ia ficar a minha banquinha de comidas e bebidas. A essa hora isso aqui ia estar lotado. A festa de São João sempre foi uma das melhores de Barreiros”, lamentou Fátima, que teve a casa alagada e se abrigou na residência de uma filha.

Os operários da empreiteira Odebrecht aproveitaram as ruas desertas de Barreiros, durante a noite de São João, para adiantar o serviço de desobstrução das principais vias do Centro. “Começamos o trabalho na terça-feira e retiramos 70 caçambas de entulho. Hoje (quarta-feira) conseguimos recolher 200 caçambas”, disse o engenheiro Pedro Braga, da Odebrecht.

Nas áreas da cidade não atingidas diretamente pela cheia do Rio Una, alguns moradores acenderam fogueiras. Ao lado da neta Maria Clara, 6, vestida de matuta, o funcionário público Heleno Alves dos Santos, 56, ajudava a menina a assar uma espiga de milho. “Botamos a roupa na bichinha para não ficar tanta tristeza dentro de casa. Passei os últimos dias socorrendo o povo e viver pensando nessa tristeza 24 horas não dá”, desabafou Heleno.

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