JUSTIÇA

Vavá Araquã é preso em festa de São Pedro

Do Jornal do Commercio
Do Jornal do Commercio
Publicado em 01/07/2010 às 7:31
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Após nove anos vivendo como foragido da Justiça, Osvaldo João dos Santos, conhecido como Vavá Araquã, foi capturado na noite dessa terça-feira (28), durante festa junina na zona rural de Belém de São Francisco, Sertão do Estado. Policiais da 1ª Companhia Independente da PMPE realizaram a operação e conseguiram deter o fugitivo. Vavá Araquã tinha quatro mandados de prisão em aberto e estava com uma pistola ponto 40. Ele foi autuado em flagrante na delegacia do município e seguiu na tarde de ontem de volta para o Presídio de Salgueiro, de onde escapou com mais 17 detentos, em 8 de maio de 2001, em fuga cinematográfica.

De acordo com o capitão Jackson Soares da Silva, chefe da segunda seção da Companhia de Belém de São Francisco, para prender Vavá Araquã quatro policiais militares à paisana (dois homens e duas mulheres) se passaram por casais e se infiltraram na festa de São Pedro da Fazenda Malhada Grande, onde havia a informação de que o acusado iria aparecer. Vavá chegou ao local e entrou no palhoção. Nesse momento, policiais deram um sinal e oito homens fardados cercaram a área em duas viaturas.

“Ele tentou fugir, correndo pelo palhoção, mas nosso pessoal à paisana conseguiu prendê-lo”, asseverou o capitão.

A pistola apreendida com Vavá Araquã pertence à Polícia Rodoviária Federal. Na arma havia o brasão do Ministério da Justiça.

Representante da família Araquã no acordo de paz firmado com os Benvindos em 2000, Rogério Araquã, asseverou ontem por telefone ao Jornal do Commercio que com a prisão de Vavá, eles são os maiores interessados no julgamento dos processos, em tramitação nos Fóruns de Belém e Cabrobó.

“Eu e os representantes das famílias envolvidas nos conflitos da década de 90 estivemos no Recife e pedimos ao presidente do Tribunal de Justiça que os processos fossem retomados. Não queremos impunidade, mas também não aceitamos que as pessoas vivam se escondendo porque nunca são julgadas”, disse Rogério.

O porta-voz dos Araquã garantiu que Vavá não estava armado na hora da prisão. “Essa arma não estava com ele. Ele não reagiu à prisão, nem portava pistola”, protestou Rogério.

O juiz da 2ª Vara de Execuções Penais, Humberto Inojosa, designado pelo presidente do TJPE, José Fernandes de Lemos, para acompanhar o caso envolvendo as famílias Araquã, Benvindo, Gonçalves, Cláudio e Russo nas comarcas de Cabrobó e Belém de São Francisco, destacou que há 66 integrantes dos clãs processados.

“Desse total, 21 estão foragidos, 17 respondem em liberdade, 21 foram mortos após a instauração do termo, quatro encontram-se presos e dois estão identificados apenas por apelidos”, explicou.

Sobre Vavá Araquã, Humberto Inojosa destacou que um dos processos está na fase de pronúncia. “É um caso de homicídio que vai a júri popular. A 1ª fase já foi concluída e ele está apto a ser julgado”, pontuou o juiz.

Na fuga do Presídio de Salgueiro, em 2001, Vavá e outros 17 detentos escaparam após receber um pacote com quatro armas e uma serra. O grupo chegou ao pátio do presídio e rendeu os guardas. Um sargento foi feito refém e levado na fuga.

Um helicóptero da Polícia Federal, que fazia erradicação de maconha na área, chegou a ser deslocado para perseguir os fugitivos, mas eles abriram fogo e conseguiram acertar o piloto de raspão. A aeronave retrocedeu e os Araquãs escaparam.

Na época, a desconfiança era que os fugitivos teriam pago R$ 100 mil para que um dos guardas deixasse o pacote com as armas e a serra entrar na unidade.

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