Compro e vendo bens de candidatos. Preço justo!

Por Igor Maciel
Por Igor Maciel
Publicado em 22/07/2010 às 15:04
NOTÍCIA
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Costuma-se dizer que o Brasil é o país da piada pronta. Aqui, as coisas sérias já nascem com humor. E o período eleitoral é perfeito para isso.

A começar pela divulgação de patrimônio dos candidatos. Um dos candidatos, em Pernambuco, declarou ter R$ 17 mil. Nem um centavo a mais foi registrado. Detalhe, o dito cujo foi deputado federal nos últimos três anos e meio. Um deputado federal ganha, no Brasil, salário mensal de R$ 16.512,09. Na prática, nosso candidato só conseguiu juntar o salário do mês passado e mais alguns trocados. Isso sem contar as verbas extras, que chegam a custar cerca de R$ 100 mil por mês ao contribuinte, para cada parlamentar.

Outro caso interessante é o do candidato que declarou ter um apartamento no valor de R$ 130 mil, em edifício localizado no Recife. O prédio ainda está com apartamentos vagos e o curioso é que as outras unidades estão sendo vendidas por R$ 397 mil. Talvez o do candidato tenha vindo com infiltrações.

O candidato José Serra, que previu gastar R$ 180 milhões na campanha para chegar à presidência, colocou as barbas (mesmo não as tendo) de molho.

O TSE, que deveria checar essas informações, apenas registra e aprova no mesmo ritmo em que acontece o pleito hoje, com a velocidade de uma urna eletrônica. Dizem que quando um ladrão está na rua é fácil prendê-lo, mas quando toda a rua está tomada por ladrões, é melhor fingir que está tudo bem e que todos são honestos.  É o que acontece com a política no Brasil.

Durante o processo eleitoral, tem mais piada. E essas partem direto dos Tribunais Eleitorais. O mote é: multa para propaganda irregular. O candidato a vice-presidente da República Índio da Costa, começou a fazer campanha antes do período legal. O Tribunal confirmou a denúncia e aplicou uma sanção: R$ 5 mil. Dizem que o candidato, que atualmente é deputado (e também recebe cerca de R$ 100 mil por mês), está angariando fundos com os amigos para poder custear o valor. Desesperado, o coitado.

O presidente Lula, então, já foi multado seis vezes por propaganda irregular em favor de Dilma. A candidata, por sinal, também recebeu seis multas. Cada uma no valor de R$ 5 mil. Dizem que o presidente até mandou comprarem menos churrasco e cachacinha para fim de semana. Vai ter que economizar. A candidata Dilma previu gastar R$ 157 milhões nessa campanha. O valor, das multas de R$ 5 mil, deve estar no orçamento.

O candidato José Serra, que previu gastar R$ 180 milhões na campanha para chegar à presidência, colocou as barbas (mesmo não as tendo) de molho. Se o TSE resolver implicar com ele do jeito que implica com o PT, com essas multas absurdas. Não vai sobrar dinheiro nem pro cafezinho.

Aliás, já tem gente de olho na declaração de bens do candidato. Imagine:

- Doutor Deputado, o senhor declarou que tem uma caminhonete cabine dupla. É essa da garagem, né?
- É sim.
- O senhor disse, no TSE, que ela valia R$ 35 mil. Eu quero lhe fazer uma proposta: pago R$ 35.500, agora pro senhor.
O deputado, visivelmente constrangido:
- Sabe o que é. Ela tem um valor sentimental pra mim. Não posso vender.
- Doutor, R$ 40 mil, em dinheiro. O senhor compra outra por R$ 35 mil e ainda sobra pra pagar uma multa do TSE.

Época eleitoral é para se ganhar dinheiro. Vou abrir uma empresa: “compro e vendo bens de candidatos. Pagamento justo.”

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