POLUIÇÃO

Dejetos de matadouro e hospitais em um só lixão de Toritama

Do Jornal do Commercio
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Publicado em 25/07/2010 às 8:01
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Considerada a Capital do Jeans, Toritama, no Agreste, tem um lixão a céu aberto que é uma grande ameaça à saúde pública e ao meio ambiente. No local, onde não existe nenhum tipo de controle, estão sendo jogados lixo hospitalar, dejetos de matadouro e resíduos sólidos de lavanderias. O depósito fica às margens da BR-104 e a fumaça provocada pela queima do material também é um perigo para os motoristas que passam pelo local.

Pelo menos duas áreas às margens da rodovia servem de depósito de lixo. Em ambas, o JC constatou a presença de lixo hospitalar e resíduos sólidos provenientes do processo industrial das lavanderias. Não foi difícil encontrar gazes com sangue, ampolas utilizadas em exames, seringas e embalagens de soro fisiológico. O lixão também acumula montanhas de resíduos sólidos que vêm do processo de tratamento físico químico da água usada nas dezenas de lavanderias que existem na cidade.

“O lixo dos hospitais e os restos de animais do matadouro vêm para cá. Todos os dias, os caminhões que fazem a coleta para a prefeitura deixam isso aqui”, disse a dona de casa Maria Helena Silva do Nascimento, que também coleta material para reciclagem. Alheios ao perigo, ela e outras dezenas de pessoas vivem de venda papel e garrafas plásticas retiradas no lixão.

De acordo com José Wellington Bezerra, 32, que mora no Sítio Serra da Costa, próximo ao lixão, insetos são alguns dos problemas causados pelo depósito a céu aberto. “As crianças vivem com coceira.”

Do outro lado do terreno, a fumaça levada pelo vento é um martírio para os moradores. Segundo um agente de saúde que trabalha na área e preferiu não ser identificado, os problemas respiratórios são constantes nos moradores. “As roupas ficam pretas e até as aulas da escola local já tiveram que ser interrompidas por causa da fumaça”.

Os secretários de Obras e de Saúde de Toritama disseram que não tinham informações de que o lixão da cidade estava recebendo lixo hospitalar. De acordo com o responsável pela saúde no município, Henrique Luna, a coleta dos resíduos hospitalares é feita de forma separada e o material é queimado em uma parte isolada do lixão. “Não estava sabendo que o lixo hospitalar estava sendo misturado com o comum. Vou mandar a Vigilância Sanitária verificar”, acrescentou.

O secretário de Obras, Edilson Torres, disse que prefeitura assinou um termo de ajustamento de conduta com o Ministério Público, mas o governo não tem recursos para construir um aterro sanitário. “O município está negativado junto ao governo federal e não pode receber verbas. Estamos tentando um convênio com a Prefeitura de Santa Cruz do Capibaribe para tentar colocar os resíduos sólidos lá, onde tem aterro sanitário”.

O termo de ajustamento de conduta, assinado em 2006, recomendava monitoramento do lixão, que deveria ter sido cercado. O promotor de Toritama, Bruno Melquíades, informou que está ciente do descumprimento do acordo e que está analisando a situação do lixão para tomar as medidas cabíveis.

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