INFRAESTRUTURA

Trecho da BR-101 Sul entre o Cabo e Ribeirão é liberado

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 23/09/2010 às 7:50
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A histórica e demorada duplicação da BR-101 em Pernambuco está chegando ao fim. Depois de quatro anos de obras, estão prontos, totalmente sinalizados e liberados ao tráfego de veículos 43,9 quilômetros da rodovia, entre o Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, e o município de Ribeirão, na Mata Sul. Alguns detalhes ainda estão sendo finalizados, o que dá um ar de arrumação de casa ao trecho, mas os motoristas já podem usufruir da qualidade e segurança de trafegar numa rodovia duplicada. Os 43,9 quilômetros custaram R$ 316 milhões, recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A única falha da duplicação são dois retornos no perímetro urbano de Escada, também na Mata Sul, improvisados pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) depois de pressionado por comerciantes da região. Os retornos podem ser úteis ao comércio, mas são um equívoco. Além de representarem um perigo para a circulação dos veículos, estimulam os pedestres a fazer a travessia da rodovia em meio aos carros, no lugar de utilizar as passarelas construídas próximo.

Terça-feira, enquanto a reportagem estava no local, quase uma dezena de pessoas se arriscava na travessia, indiferentes à passarela ao lado. Entre elas, a dona de casa Antônia das Dores, 50 anos. “Eu uso a passarela, mas quando estou com pressa, como hoje, passo por baixo mesmo. Como os carros são obrigados a reduzir a velocidade para fazer o retorno, fica mais fácil atravessar”, justificou.

Os comerciantes instalados no perímetro urbano de Escada, entretanto, nem cogitam a possibilidade de os desvios serem desativados. “A não ser que façam a via local ou um retorno próximo da principal entrada da cidade. Não podemos ficar com os retornos oficiais, a dois quilômetros de distância. Há quatro meses, antes de exigirmos a mudança com protestos, o movimento caiu 50%”, criticou Alexandre Coelho, 42, gerente de uma loja de autopeças.

Euclides Bandeira, que está respondendo interinamente pelo Dnit em Pernambuco, advertiu que os desvios não serão mantidos na rodovia por serem perigosos. Disse, ainda, que por causa deles as construtoras foram obrigadas a instalar lombadas físicas na BR para forçar os veículos a reduzirem a velocidade. “Um projeto prevendo passagens inferiores já está sendo realizado e deverá ir para licitação no próximo mês. Também estamos tentando viabilizar a implantação de uma via local no perímetro urbano, que travou por causa de pendências com desapropriações. São aproximadamente 15 imóveis que estão na Justiça”, explicou.

De resto, a duplicação está ótima, bem diferente da época em que a BR era mão dupla, com buracos por toda parte e perigosa. Em alguns pontos, ainda se vê funcionários das construtoras fazendo ajustes e a microfresagem das placas de concreto, espécie de raspagem para diminuir as ondulações e dar aderência. Os 43,9 quilômetros fazem parte do lote 7 e foram duplicados pelo consórcio Queiroz Galvão, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Barbosa Melo.

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