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Plano para revitalizar o Rio Ipojuca é aprovado

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Considerado um dos cinco rios mais poluídos do Brasil, o Ipojuca agora tem um instrumento que pode ajudar a mudar essa situação. É o Plano Hidroambiental, estudo que levou um ano e meio e faz um diagnóstico da situação da bacia, apontando alternativas para revitalização e desenvolvimento sustentável.

O documento, aprovado na semana passada, em reunião do comitê da bacia com entidades governamentais e não governamentais, prevê investimentos de R$ 171,8 milhões nos próximos 15 anos. Os recursos seriam investidos nas áreas socioambiental, infraestrutura hídrica e na gestão dos recursos hídricos.

O plano é o ponto de partida para a revitalização do rio. Ele apresenta um diagnóstico da situação ambiental e aponta cenários e tendências sustentáveis para o futuro, determinando de forma detalhada ações necessárias, com previsão de custos.

O estudo divide a Bacia do Rio Ipojuca em quatro áreas e mostra as potencialidades e os problemas existentes nessas unidades de análise. Recomenda uma visão integrada de toda a bacia e a possibilidade de complementar suas atividades econômicas.

Entre as principais ações, o plano de investimentos prevê a implantação de parques urbanos municipais na bacia, chamados de “janelas para o rio”, e estudo visando definir áreas prioritárias para criar unidades de conservação em locais de nascentes. Também está indicada a recuperação de áreas degradadas por lixões em margens de rios ou espaços estratégicos da bacia.

O documento recomenda ainda a recuperação de trechos críticos da calha do Ipojuca para atenuação de enchentes, um dos principais problemas causados na época de chuvas. Nessa área, também está prevista a implementação de sistema da monitoramento em tempo real em áreas inundáveis e um plano de contingência para inundações na Bacia do Ipojuca. “O plano nos deu um norte para definir prioridades e investimentos”, diz o secretário estadual de Recursos Hídricos, José Almir Cirino.

Segundo ele, as primeiras ações do plano devem começar no próximo ano, como a escolha das áreas para criação de parques ambientais e pequenas obras de saneamento. As grandes ações ainda aguardam recursos. A principal linha de financiamento deve vir do Banco Mundial e vai servir para o saneamento e tratamento de esgotos das cidades cortadas pelo rio. “Como se trata de um financiamento internacional o dinheiro deve demorar pelo menos um ano e meio para ser liberado”, destaca o secretário de recursos hídricos.

O Plano Hidroambiental da Bacia do Rio Ipojuca foi desenvolvido com recursos do Proágua Nacional e Banco Mundial e firmado em parceria com o Estado e Comitê da Bacia do Ipojuca. Na reunião, foi eleita uma câmara técnica com cinco pessoas para criar mecanismos de monitoramento, acompanhamento e atualização do plano.

“Agora que temos um diagnóstico e propostas, cabe aos gestores alocar recursos, também através de emendas parlamentares, e criar mecanismos para executar o plano. Os 24 municípios que fazem parte da bacia devem focar nas ações previstas”, diz secretário de Meio Ambiente de Gravatá e presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Ipojuca, Aarão Lins.

O Rio Ipojuca nasce na Serra do Pau D’Arco, em Arcoverde, e tem 323 quilômetros de extensão até a foz, na cidade de Ipojuca. Os indicadores de desenvolvimento sustentável 2008 do IBGE mostraram que o Ipojuca tem um dos índices de qualidade da água mais baixos do Brasil, atrás apenas dos Rios Iguaçu (Curitiba), Tietê (São Paulo), das Velhas (Belo Horizonte) e Paraguaçu (Bahia).


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