ENCHENTES

Seis meses depois, Mata Sul segue batalha pelo soerguimento

Ana Maria Santiago de Miranda
Ana Maria Santiago de Miranda
Publicado em 18/12/2010 às 15:00
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Imagem registrada na cidade de Barreiros, Mata Sul do Estado, após a enchente que devastou a região

Por Breno Pires e Rafael Dantas
Do JC Online e Jornal do Commercio

Seis meses separam a tragédia do desafio da reconstrução das 41 cidades atingidas pelas fortes chuvas que caíram na Zona da Mata Sul de Pernambuco, na segunda quinzena de junho, devastando 17 mil residências, 5 hospitais e quase 300 escolas, desabrigando 27 mil pessoas e tirando 20 vidas. Cidades como Palmares, Barreiros e Água Preta correm para superar o estado de calamidade.

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A coordenação dos investimentos para que a região ressurja dos escombros e floresça tem à frente a Operação Reconstrução, liderada pelo Governo do Estado, que prevê a construção de 18 mil casas, até o fim de 2011, nos municípios que sofreram com as enchentes. Casas pelas quais esperam as quase mil pessoas que seguem em abrigos, no limite da paciência. O investimento chegará a R$ 800 milhões, pagos em parceira com o Governo Federal. Além das moradias, as obras já começaram também na reforma e construção de hospitais, escolas, pontes e prédios públicos, com ritmos diferentes em cada uma das cidades, que, juntas, detêm mais de 2 milhões de habitantes.

Só em infraestrutura, estão previstas pela Operação Reconstrução mais de 300 intervenções nas cidades, totalizando investimentos na ordem de R$ 90 milhões. A maioria dos recursos serão direcionados para a construção de estradas vicinais (48%) e para vias urbanas (18%).

Polo irradiador do comércio na Mata Sul e uma das cidades mais atingidas pelas chuvas, Palmares é onde o ritmo das obras é mais rápido. Segundo o secretário de infraestrutura do município, Clodomir Azevedo, até o final do ano estão previstas as entregas da emergência do novo Hospital Regional de Palmares — orçado em R$ 35 milhões — e de 40 casas no bairro Quilombo dos Palmares 1. \"No bairro Quilombo dos Palmares 2 - Nova Esperança, ficarão o Fórum, o Ginásio Municipal e mais 2.600 casas. Acredito que, antes do próximo inverno, todas as novas moradias serão entregues. O ritmo das obras está bem acelerado\", declarou o secretário. O Sistema de assistência à Saúde dos Servidores Públicos do Estado de Pernambuco (Sassepe) foi o primeiro dos prédios públicos que passaram a ser reativados, no início deste mês.

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Em Palmares, área em frente à matriz da cidade, antes e depois da reconstrução

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Em Barreiros, duas pontes ainda estão destruídas, e as escolas receberam apenas uma ação emergencial para não comprometer o ano letivo, com a limpeza e pequenos ajustes nas salas. \"Houve recuperações parciais nas escolas. A nossa foi onde o trabalho evoluiu menos. Estamos com salas improvisadas e adaptadas para oferecer as aulas\", disse José Tarcísio Paixão de Oliveira, gestor da Escola Doutor Anthenor Guimarães (Edag).

Em Cortês, o principal prejuízo foram os estragos no hospital municipal, que teve que ser demolido. Desde então, os atendimentos de saúde são feitos no prédio de uma escola pública, que está sendo também improvisada na quadra municipal. \"O atendimento é de emergência. Só não fazemos cirurgias e alguns exames como o raios-X. Os pacientes que necessitam passar por procedimentos cirúrgicos precisam ir para outras cidades\", disse Carlos Ferreira, diretor do hospital desde o dia da enchente.

O secretário de obras de Cortês, Jurandir Figuerêdo, reconhece que o atendimento não é o ideal e admite que a situação ainda deve se estender. \"Não tenho dúvida, está sendo uma coisa provisória. As cidades que passaram por esse processo de cheia, para se recompor, vão levar anos. Acredito que vai ter coisa que, daqui há dois anos, vai estar se ajeitando ainda. Uma tragédia dessa não é do dia para noite que se constrói, que se reforma, que volta a ter uma vida normal\", reflete.


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