MATA SUL

O abandono dos flagelados

Do Jornal do Commercio
Do Jornal do Commercio
Publicado em 13/01/2011 às 9:16
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Famílias que estão alojadas no acampamento Esperança, no município de Barreiros, na Mata Sul de Pernambuco, montado pelo governo do Estado com apoio da prefeitura e de uma Organização Não-Governamental internacional para abrigar as vítimas da enchente de junho de 2010, denunciam que estão sofrendo todo o tipo de pressão do poder público para deixar o local. Muita gente já saiu. Um dos abrigos, que ficava localizado na entrada da cidade, já foi desativado. De acordo com os acampados, os funcionários da prefeitura dizem que eles precisam sair, pois não há mais comida. A água mineral já deixou de ser fornecida. Há 15 dias, o governo do Estado retirou o policiamento. Há dois dias, por volta das 17h, ocorreu um tiroteio no acampamento.

Helena Severina da Silva, 61 anos, mora numa das barracas com a filha, o genro e a neta de 3 meses. Relatou que todos os dias sofre pressão psicológica para abandonar o local. “Todos os dias, eles dizem que a gente têm que sair. Dizem que, se a gente ficar aqui, nós não vamos receber o auxílio-moradia no valor de R$ 150. O problema é que, com esse valor, não conseguimos alugar nenhuma casa. Não há mais casas em Barreiros para alugar. Só tem de R$ 400 e R$ 500”, informou.

O genro de Helena, Iranildo da Silva Rufino, 20 anos, relata que até kit de limpeza não estão entregando mais. “A gente está vivendo agora do que as pessoas estão entregando aqui. No Natal, por exemplo, deixaram bastante comida. Disso, não temos do que reclamar. Mas não temos mais artigos de limpeza. Faltam pasta de dente, papel higiênico, sabonete, entre outros produtos. Se a gente não se virar, fica sem nada. Eles avisaram que o prazo de seis meses acabou. O problema é que não temos para aonde ir. Não estamos aqui por nossa vontade. O que vamos fazer?”, questionou.

Outra reclamação é o corte no fornecimento de água mineral. “Já faz tempo que não estamos mais recebendo água potável para beber. Agora, é no caminhão-pipa. Ele vem toda semana e enche aquelas caixas. A água serve para tudo. Semana passada encontramos um sapo morto dentro do reservatório”, declarou Iranildo.

Reginaldo Francisco da Silva, 40 anos, mora com a mulher e seis filhos pequenos no acampamento. “A gente está sendo bastante pressionado. A pressão é psicológica. Até mesmo as pessoas que deveriam nos auxiliar psicologicamente estão dizendo que a gente precisa sair. Dizem que não vamos receber o auxílio. Mas só podemos sair daqui quando as casas estiverem prontas.”

CASAS

O governo do Estado já encontrou um terreno, em Barreiros, onde já começou a construção de unidades habitacionais para os flagelados da chuva. A área fica num ponto alto com o objetivo de evitar que novas tragédias se repitam. Na manhã de ontem, várias máquinas pesadas trabalhavam no local. Ao contrário do município de Palmares, na mesma região, as casas ainda não começaram a serem erguidas. No momento, a obra encontra-se na fase da terraplenagem.

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