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Ex-chefe da Receita Federal em Caruaru acumulou em fraudes R$ 12 milhões

Do NE10
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Publicado em 11/05/2011 às 12:23
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Carrros e apartamentos de luxo em Recife (PE) e Maceió (AL). Pousada em Maragogi (AL). Outros imóveis em Jaboatão dos Guararapes, Gravatá e Caruaru. Todos esses bens - 40, no total - estimados em R$ 12 milhões, foram comprados pelo ex-delegado da Receita Federal em Caruaru Saulo de Tarso Muniz dos Santos, de 38 anos, após ajudar empresários da cidade em que atuava a fraudar o imposto de renda, pagando menos do que deveriam. Saulo foi preso por sonegação de impostos e lavagem de dinheiro na manhã desta quarta-feira (11) em Maceió (AL) na Operação Incongruência, liderada pelo delegado da Polícia Federal (PF) Raone Aguiar.

A pousada em Maragogi está avaliada em R$ 500 mil; um apartamento de um andar inteiro na Avenida Boa Viagem, em Recife, custou R$ 1,5 milhão. Em Apipucos, outro apartamento no valor de R$ 1,3 milhão. Daí o nome da operação - Saulo tinha um padrão de vida incongruente com seu salário de R$ 16 mil. Além disso, como auditor, sua função é proteger a Receita, não colaborar com criminosos. Ele foi chefe do órgão em Caruaru de 2007 a 2011, mas estava afastado há um mês, já por consequência desses crimes.

Auditor fiscal há 10 anos, conhecia bem o sistema da Receita. Saulo recebia um percentual sobre o valor economizado pelos "clientes" na declaração. Ele oferecia o "serviço" em Caruaru, sempre se encontrando com os interessados em locais longe do escritório. Na cidade, tinha um apartamento simples e usava carros em nome de
outras pessoas ou empresas. Porém, não se preocupava tanto em manter as aparências - segundo Raone Aguiar, o fato de que Saulo realizava a fraude era conhecido pela população. "Ele era um muito, muito articulado", declarou.

Os imóveis estavam no nome de quatro pessoas: o próprio Saulo, a mãe dele, a companheira - com quem tinha dois filhos - e a amante, uma professora da UFPE com quem tinha outra criança. Elas eram usadas como "laranjas", mas seus nomes não foram divulgados pela Polícia Federal. Elas foram indiciadas pelo crime de sonegação de impostos e serão investigadas. Algumas das residências estavam alugadas e não foram vistoriadas. Porém, todos os bens do auditor estão bloqueados - isto é, estão impedidos de ser vendidos, mas não interditados.

"A Receita Federal não pode admitir desvios de conduta dos funcionários", afirmou o superintendente da Receita Federal em Pernambuco, Luiz Fernando Teixeira Nunes. Ele ressalta que já foram descobertos, investigados e punidos "centenas de casos criminosos na última década". Caso seja condenado, Saulo terá de pagar o imposto não pago, uma multa e juros de mora, baseados na taxa Selic.

Saulo está sendo interrogado na sede da Superintendência da Polícia Federal em Maceió e depois será trazido para o Recife, onde fará exame de corpo delito no Instituto Médico Legal (IML) e será encaminhado ao Cotel. Ele pode receber pena de 5 a 20 anos. A operação contou com a participação de 60 policiais.

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