A pedra que mata

Por Diego Martinelly Por Diego Martinelly
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Publicado em 31/07/2012 às 8:48
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O caminho obscuro percorrido por alguns jovens e adolescentes do interior de Pernambuco tem deixado as famílias e as autoridades ligadas à área de segurança do Estado em alerta. O crack hoje está presente em mais de 90% dos municípios brasileiros e já é a droga preferida dos traficantes pelo alto poder de dependência que causa nas vítimas.

O Disque Denúncia Agreste, que foi criado em 2002, em Caruaru, no Agreste do Estado, contabilizou nestes dez anos de trabalho um aumento de 225% no número de denúncias relacionadas ao crack. São pessoas que identificam pontos de distribuição e consumo da droga e imediatamente acionam o órgão para que, em parceria com as Polícias Militar e Civil, sejam iniciadas as investigações. O sucesso desta parceria pode ser comprovado nos dados divulgados pela Secretaria de Defesa Social (SDS), que apontam um aumento de mais de 100% nas apreensões de crack de 2011 em comparação com o mesmo período de 2012.

Esses são exemplos de políticas de segurança importantes no combate a esta epidemia que se tornou o crack, mas é preciso também que sejam acompanhadas de políticas sociais. Os Centros de Reabilitação para Jovens, como o Caud, que é mantido pelo governo do Estado e já existe em Caruaru, ainda disponibiliza um quantitativo de vagas insuficiente para atender toda a região.

Se observarmos criticamente, será possível perceber que estão procurando soluções para o problema quando ele já existe e não na forma preventiva. O fechamento de alguns postos da Polícia Rodoviária Federal, que estavam espalhados em pontos estratégicos, como rodovias que dão acesso às cidades do Sertão, tem facilitado a entrada da droga nas cidades.

O trabalho de esclarecimento e apoio que deveria ser dado pelos professores em salas de aula não pode ocorrer por falta de preparação dos docentes que não sabem lidar com este tipo de situação. Esta incumbência terminou parando em projetos desempenhados pela Polícia Militar, que não pode atingir um grande número de escolas e municípios por causa de efetivo e estrutura.

Vamos transformar este bom momento que vive Pernambuco com a chegada de investimentos público-privados e cobrar melhorias nas áreas sociais. Esta pedra não pode enterrar o futuro dos nossos jovens.

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