Alegria, tristeza e mistério

Por Diego Martinelly Por Diego Martinelly
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Por Diego Martinelly
Publicado em 20/02/2013 às 7:38
NOTÍCIA
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Foi assim mesmo que o mundo ficou ao saber da renúncia do papa Bento XVI. Em pleno carnaval, umas das festas mais comemoradas pelos brasileiros, a notícia, mais que planejada, foi anunciada para que não tivesse tanto impacto e fosse esquecida logo pelo país mais católico do mundo.

Em algumas religiões, a notícia foi tratada com alegria, já que a saída de um líder expõe a fragilidade em um sistema e demonstra que algo de errado deve estar ocorrendo. Como em qualquer empresa que gera lucro e precisa manter clientes, a mudança foi a forma imediata de camuflar o que há anos vem prejudicando a igreja: o conservadorismo e suas opiniões retrógradas.

Já não se consegue mais penetrar no imaginário das pessoas como antigamente. O celibato passou de uma tradição, filosofia ou até um dogma, para uma despesa e derrocada da imagem da igreja – e isto já gera controvérsia dentro da própria cúpula eclesiástica. A proibição da construção de uma família segue os princípios deixados por Deus ou o fator econômico fala ainda mais alto numa briga judicial após a morte de um servo? Bento XVI, mesmo com idade avançada e condições físicas difíceis de cumprir com as missões da igreja, ainda desfruta uma capacidade enorme de entender o que está ocorrendo e só não suportou a pressão que estava sofrendo.

O papa João Paulo II já não possuía capacidade de se expressar tão bem, não andava sem a ajuda de pessoas, tinha dificuldade enorme de comparecer a atos públicos e foi mantido no cargo até a sua morte. Ao seu lado estavam a simplicidade, as ações sociais e o bom relacionamento com as instituições e líderes mundiais. Talvez por tanto legado e uma opinião temida por muitos foi mantido até o fim da vida no cargo.

As religiões enfrentam batalhas que mais parecem clubes de futebol. A essência dos princípios deixados por Deus é deixada de lado e a propagação do doar para viver bem em outro lado ou se sacrificar economicamente – doando o que tem e até o que não tem – com o intuito de ter em dobro tudo ainda nesta vida mostra a fragilidade das religiões e entristece quem veio ao mundo só para propagar o amor e nada mais. Ou edificam templos mostrando que tudo isto é passageiro e que somos guiados por um único Deus que ama independente da cor, etnia, religião, ou viraremos seres vazios guiados por falsos profetas.

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