Águas Belas

Polícia faz reconstituição do assassinato do promotor Thiago Faria nesta segunda

Roberta Soares
Roberta Soares
Publicado em 22/12/2013 às 23:55
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Está programada para o início da manhã desta segunda-feira (23), por volta das 8h, em Águas Belas, no Agreste pernambucano, a reconstituição do assassinato do promotor de justiça de Itaíba, Thiago Faria Soares, 36 anos, executado com vários tiros dois meses atrás, na PE-300. A Polícia Civil de Pernambuco, devido ao pacto de silêncio adotado ainda no início das investigações, apenas confirmou a realização da reprodução simulada do crime, sem dar detalhes.

A advogada Misheva Freire Ferrão Martins, noiva do promotor e, até agora, principal testemunha ocular do assassinato, estará presente, assim como o tio dela, Adaltivo Elias Martins, que estava com a sobrinha no veículo do promotor quando ele foi assassinado. O principal acusado pela polícia de ser o autor dos disparos contra Thiago Faria, o agricultor Edmacy Cruz Ubirajara, solto na semana passada por falta de provas que sustentassem sua prisão, também foi intimado e participará.

A simulação acontece mais de dois meses depois do dia do crime e demonstra que, de fato, a polícia continua enfrentando dificuldades para concluir as investigações. Essa é a leitura feita pela família dos acusados - além de Edmacy, o cunhado dele, o fazendeiro José Maria Pedro Rosendo Barbosa, foragido até hoje, é apontado pela polícia como mandante do crime pela disputa judicial de terras da Fazenda Nova, em Águas Belas, com a família da noiva do promotor. Um dos filhos do fazendeiro, José Leandro Ubirajara também foi intimado pela polícia, embora não faça parte da relação de testemunhas do caso.

A reconstituição será comandada pela delegada do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) Josineide Confessor, que está à frente do caso agora, depois que a força-tarefa de delegados foi desfeita com o esfriamento das investigações.

A defesa de Edmacy Ubirajara garantiu que o agricultor estará presente e não vai se opor a contribuir com a polícia. Mas que ele só participará se for considerada sua versão para o crime. “Se a Polícia Civil tentar inseri-lo na cena do crime, como acreditamos que fará, não permitiremos porque ele garante que estava na cidade no momento em que o promotor era assassinado na PE-300. Existem provas dessa versão, com imagens e depoimentos de testemunhas, que foram anexadas ao processo. Como sabemos que a polícia estará considerando apenas a versão apresentada pelo noiva do promotor, do crime em si, Edmacy não tem como participar”, argumentou o advogado Anderson Flexa, que defende o agricultor juntamente com Weendell Freitas.

Os dois estarão em Águas Belas acompanhando a simulação. Segundo Flexa, nenhuma das testemunhas indicadas pela defesa para comprovar que Edmacy estava na cidade no momento do crime e, não, seguindo o carro do promotor, como diz a polícia, foi intimada a participar da ação desta segunda.

A Polícia Civil não informou um horário preciso para o início da reconstituição, mas os trabalhos devem começar por volta das 7h30, já que, pela versão de Misheva Martins, ela e o noivo saíram de casa, no Centro de Águas Belas, às 8h15, e o assassinato teria acontecido perto das 9h, a dez quilômetros da cidade, na PE-300.

Dois meses depois do crime, as dúvidas persistem. O único acusado que chegou a ser preso, Edmacy Ubirajara, foi solto na semana passada por determinação da Justiça de Sergipe, onde ele respondia a um crime, exatamente por falta de provas. O suposto mandante do assassinato - segundo a polícia -, o fazendeiro José Maria Rosendo, permanece foragido e, até agora, nem a arma (tudo indica que uma espingarda calibre 12) nem o carro utilizado no crime (um Corsa Hatch escuro, talvez cinza, verde ou preto) apareceram.

Provas importantes para esclarecer o assassinato, a partir da versão apresentada por Misheva Martins, que garante que o carro do promotor foi interceptado por outro veículo na PE-300, de onde desceu um homem (ela afirma ter sido Edmacy Ubirajara) e feito diversos disparos. Entretanto, ela, que estava no banco do passageiro, e o tio, sentado atrás, conseguiram escapar sem qualquer ferimento. Também não se tem notícia das perícias técnicas.

Diante das muitas especulações sobre a ausência de provas que fundamentassem o inquérito, a resposta rápida da polícia - que apontou o fazendeiro e prendeu o agricultor dois dias depois do crime -, a polícia se autocensurou, fazendo uma parceria com o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para proibir que qualquer integrante das instituições falassem sobre o inquérito.

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