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Câmara de Caruaru anula votação que aprovou implantação de BRT

Do NE10
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Publicado em 21/01/2014 às 22:56
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Foi anulada por unanimidade, na noite desta terça-feira (21), em sessão extraordinária na Câmara de Caruaru, no Agreste do Estado, a votação que aprovou em 17 de dezembro do ano passado o projeto para implantação de um Bus Rapid Transit (BRT) na Capital do Agreste. Uma recomendação do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) foi expedida este mês para que o legislativo optasse pela anulação do resultado que aprovou a proposta.

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O pedido do MPPE se deu em virtude da investigação desencadeada pela Operação Ponto Final, que aponta 10 parlamentares do município supostamente envolvidos em esquema de cobrança de propina para aprovação do projeto em questão.

Com quase uma hora de atraso, a discussão teve início por volta das 21h e transcorreu sem tumulto, apenas com gritos e aplausos do público a cada voto favorável pela anulação do projeto. As dependências da Casa Jornalista José Carlos Florêncio esteve lotada durante a sessão. Um pequeno grupo de manifestantes se fez presente e protestou contra a proposta do BRT.

Ainda na reunião, que contou com a participação dos suplentes que assumiram os cargos dos 10 vereadores investigados na Operação Ponto Final, também foram votados e aprovados outros projetos, entre os quais o que determina o reajuste no salário de servidores.

REUNIÃO - Na manhã desta quinta-feira (23), os vereadores vão se reunir com técnicos da prefeitura para tratar sobre a proposta do BRT. Uma reunião foi marcada para às 10h na Câmara Municipal. Na oportunidade, o secretário municipal de Projetos Especiais, Paulo Cassundé, vai detalhar a proposta do Bus Rapid Transit para os parlamentares.

NOVA SESSÃO - Uma segunda reunião extraordinária foi marcada para a noite desta quarta-feira (22). Entre os quatro projetos do Executivo que a Câmara apreciará, estão a implantação do novo salário mínimo para os servidores municipais, que deverá gerar um impacto de R$ 3 milhões na folha de pagamento do município e a doação de um terreno para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae).

A sessão extraordinária votará ainda as modificações administrativas na Empresa de Urbanização e Planejamento de Caruaru (URB), que passará por uma ampla reestruturação operacional e diretiva, além de focar com maior destaque a questão ambiental.

Para atender solicitação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a prefeitura realizou alterações no texto do projeto do Programa de Modernização da Administração Tributária e da Gestão dos Setores Sociais Básicos (PMAT). A Câmara, que já havia aprovado o texto base em dezembro do ano passado, agora vai analisar as alterações sugeridas pelo órgão financiador do governo federal.

O CASO - A Operação Ponto Final foi deflagrada no início da manhã do dia 18 de dezembro do ano passado. Ao todo, 10 vereadores da Capital do Agreste foram presos e encaminhados à Penitenciária Juiz Plácido de Souza, em Caruaru, por suspeita de concussão, corrupção passiva e organização criminosa. Os parlamentares estariam exigindo ao prefeito José Queiroz (PDT) o valor de R$ 2 milhões para aprovação do projeto do BRT (Bus Rapid Transit), orçado em R$ 250 milhões.

Foram presos após seis meses de investigação da Polícia Civil, os vereadores Sivaldo Oliveira (PP), Cecílio Pedro (PTB), Pastor Jadiel e Val das Rendeiras (Pros), todos da base governista, e mais seis da oposição: Val (DEM), Louro do Juá e Eduardo Cantarelli (SDD), Jajá (expulso do PPS), Neto (PMN) e Evandro Silva (PMDB). Todos os suspeitos foram soltos no final de dezembro.

GRAVAÇÕES - O juiz da 4ª Vara, Pierre Souto Maior, determinou o fim do sigilo do processo que investiga os vereadores, ao qual a imprensa teve acesso no final da tarde da quinta-feira (9). Entre outras coisas, os autos mostram vídeo e gravações dos suspeitos em conversas com interlocutores numa suposta negociação de propina para aprovação de projetos na Câmara do município.

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