O dopping chamado Brasil

Por Diego Martinelly Por Diego Martinelly
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Publicado em 07/03/2014 às 13:15
NOTÍCIA
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Uma população acostumada ao que colocam na mesa, ao que se escuta, ao que se determina. Nada de questionamentos, nada de discernimento, e assim o tempo vai passando, a desigualdade aumentando, as injustiças se perpetuando.

Em 2013, a dosagem do remédio parece ter sido menor, a população acordou e num lapso de memória foi para as ruas reclamar da educação, saúde e segurança oferecidas aos mais necessitados.

Para quem só ouviu falar ou acompanhou nos livros e jornais algo parecido como os manifestos das diretas, do impeachment presidencial, acreditava que desta vez conseguiríamos mudar esta realidade deste dopping eterno.

Bastaram alguns projetos engavetados e o congelamento das passagens de ônibus em algumas capitais para que votássemos a conviver de novo com as promessas vazias, com os políticos utilizando o dinheiro público em viagens para realizar implante de cabelo, em licitações de comidas que jamais os dopados comerão.

Na época da ditadura, existia desigualdade, pobreza e injustiça, mas naquele momento o que mais machucava era a ausência da liberdade. Os protestos tinham objetivos: instituir a liberdade e que pelo menos o senso de democracia voltasse a existir.

Os tempos são outros, a sociedade precisa acordar deste dopping

Avançamos e já em uma década bem diferente daquela de 1960, a população volta às ruas, desta vez, para destituir do cargo um presidente, que, como muitos, agia em causas próprias e afagou pouco com cargos e dinheiro o Congresso. O movimento vindo das ruas foi importante para esta saída? Foi, porque se o objetivo era a saída do chefe da nação isso ocorreu. Os tempos são outros, a sociedade precisa acordar deste dopping e se esforçar para mudar esta realidade.

A mudança começa pelas pessoas para depois cobrarmos do poder público. O resultado daqueles protestos de 2013 tem que ser dado na hora da escolha dos nossos governantes. O Brasil de hoje me faz lembrar um cemitério localizado numa periferia de uma grande cidade. A cada enterro o coveiro colocava frases na cova como “viveu cinco anos” ou “viveu três anos”. Este número não batia com a idade da pessoa que estava sendo sepultada.

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Certo dia uma pessoa que visitava com frequência o cemitério aguardou um enterro e viu que o defunto tinha aproximadamente 70 anos. Ele ficou esperando o corpo ser sepultado e prontamente o coveiro colocou a frase “viveu 7 anos”. O rapaz foi questionar o coveiro e ele respondeu que aquele ano que colocava era o tempo que a pessoa realmente viveu feliz, gozou a vida.

Imaginemos se este coveiro começasse a demarcar os cemitérios no país talvez poucos chegassem ao tempo de longevidade estipulada para o Brasil que é de 74 anos. Nós sabemos que a felicidade está dentro de nós e independente de classe social ou poder aquisitivo podemos ser felizes, mas que as condições que nos proporcionam hoje neste país não ajuda.  Acorda, Brasil!

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