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Seca deixa Sertão em colapso

Ana Maria Santiago de Miranda
Ana Maria Santiago de Miranda
Publicado em 23/07/2014 às 15:22
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Parte dos reservatórios localizados no Sertão estão vazios
Foto: Carlos Maciel.
Os açudes secaram, o pasto desapareceu e o que era verde, mudou de cor. Essa é a dura realidade que todo ano se repete e vai se arrastando pelo interior de Pernambuco. De acordo com a Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC), 87 reservatórios são monitorados no Estado, totalizando 3,2 bilhões de metros cúbicos da capacidade máxima, sendo 14 na Zona da Mata, 34 localizados no Agreste e 39 no Sertão.

Atualmente, segundo Monitoramento Hidrológico da Agência, a Zona da Mata apresenta uma acumulação total de água de cerca 245 milhões m³, correspondendo a 70 % de sua capacidade máxima; já o Agreste encontra-se com 187,7 milhões m³, correspondendo a 22% de sua capacidade máxima; e o Sertão com 254,6 milhões m³ correspondendo apenas a 13 % de sua capacidade máxima. Para este ano, o período chuvoso já se encerrou na região do Sertão. Já para o Agreste e Zona da Mata do Estado, este período se estende até o final desse mês de julho, onde ainda podem ocorrer chuvas que resultem em algum ganho para os volumes de água acumulados., acredita o analista de recursos hídricos da APAC, Rony Melo. A barragem de Barra do Juá, localizada no município de Floresta e as barragens de Entremontes e Chapéu, ambas localizados em Parnamirim estão com níveis bastante reduzidos., acrescentou.

Para minimizar os efeitos da estiagem dentro das políticas públicas para a convivência com a seca no semiárido, 39.006 mil famílias de Pernambuco estão sendo beneficiadas com a instalação de cisternas de polietileno. Os reservatórios captam a água da chuva (ou de carro-pipa) e permitem o armazenamento de 16 mil litros, garantindo condições para uma família de quatro a cinco pessoas se manter por até nove meses de estiagem, cenário típico do semiárido nordestino.

A gente passa muito aperreio por aqui. Pra ter água era preciso andar muito até um barreiro mais perto, só que agora está tudo seco. Agora as coisas deram uma melhorada, porque a gente tem essa cisterna e o pouco que choveu deu pra juntar. Fico imaginando o que seria da gente se não fosse isso, já que está tudo seco, disse o agricultor Edvaldo André, 42, do Assentamento Beatriz de Jesus, zona rural de Lagoa Grande, no Sertão do Estado.

De acordo com uma das fornecedoras deste tipo de cisternas, o material utilizado na fabricação dos equipamentos é adequado à região. A resina de polietileno somente pode fundir a uma temperatura de 147o C, sendo que na região a temperatura máxima pode oscilar em torno de 50o C em períodos de clima mais severo, o que desmistifica a informação incorreta de que as cisternas derretem no calor do sertão, explicou Amauri Ramos, diretor da companhia, que disponibiliza uma linha gratuita para atender aos beneficiados, que podem contatar a companhia em caso de dúvidas e até pedir a troca do reservatório, que tem cinco anos de garantia para defeitos de fabricação, quando necessário. O telefone 0800-081-6060 está disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.

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