Caruaru

Mulheres de Argila: um mosaico da sustentabilidade

Núcleo SJCC/Caruaru
Núcleo SJCC/Caruaru
Publicado em 20/02/2015 às 11:25
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Objetos de decorações são produzidos por mulheres no Alto do Moura
Foto: Kaline Aragão/Agência de Notícias Unifavip
Um estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia de Pernambuco (Itep) e Sebrae identificou que mais de 50 mil metros de resíduos de jeans são desperdiçados por mês no polo têxtil da região do Agreste pernambucano. A partir daí surgiu o questionamento: o que fazer para transformar o que hoje é um problema em uma solução viável de negócio? O desafio foi lançado e o artesanato apresentou, com ajuda do design, uma saída inteligente para o aproveitamento do resíduo da indústria de confecções do Agreste.

Um grupo de mulheres do Alto do Moura em Caruaru, denominado Mulheres de Argila, abraçou a causa da responsabilidade socioambiental e cultural, aproximando setores da economia local, como o artesanato e o barro de maneira sustentável. As artesãs já estão no mercado há cerca de quatro anos, atuando com retalhos ourelas do jeans e confeccionando produtos de decoração almofada e mantas; moda bolsas, mochilas; utilitários de cozinha - avental e souvenir chaveiros, lembrancinhas.

Produtos são confeccionados com sobras de jeans
Foto: Kaline Aragão/Agência de Notícias Unifavip
O coletivo integra a Associação Movimento Cultural Ô di casa, do Bairro Alto do Moura, terra do Mestre Vitalino. O projeto Mulheres de Argila atualmente conta com sete mulheres diretamente envolvidas e cerca de 20 mulheres que atuam indiretamente na mão de obra. Nem todas as mulheres residem no Alto do Moura, algumas são moradoras de outros bairros de Caruaru ou de cidades circunvizinhas, como Agrestina.

As coleções são assinadas pelo design Melk Zda, que desenvolveu a trama do jeans, parte da identidade do projeto.  A cada coleção, o grupo presta uma homenagem a uma mulher do local, escolhida por votação comunitária. Dona Sá Valdivina, Dona Clementina e Dona Regilda foram as três últimas homenageadas, as duas primeiras eram artesãs contemporâneas do mestre Vitalino, já a última é poetisa e atuante em projetos culturais na comunidade.

Artesãs estão no mercado há quatro anos
Foto: Kaline Aragão/Agência de Notícias Unifavip
Para Maria das Dores, a Nevinha, representante do Projeto Mulheres de Argila, trabalhar com sustentabilidade é muito gratificante e faz parte de uma realidade produtiva. Mudou tudo na minha vida, a maneira de ver e pensar. O que me chamou a atenção a princípio foi a questão da sustentabilidade, tem muito mais por trás: a sociedade, a economia, a cultura. Já estou aqui há um ano e meio e a cada dia é um novo aprendizado, afirma Maria.

O grupo de artesãs já participou de feiras de artesanato nacionais e regionais, sempre com o apoio do Sebrae. Participamos de feiras como Feneart, Mãos de Minas, e várias outras aqui em Caruaru também, conta a artesã.
O nome do Grupo Mulheres de Argila surgiu tanto da ideia de ser formado apenas por mulheres, como da argila ser a parte mais forte da terra. O nome também faz uma analogia à cultura do local que é o trabalho com barro e mostra como as mulheres são fortes e capazes de mudar o mosaico da sua história, usando como base peças de artesanato.

*Texto: Kaline Aragão Agência de Notícias Unifavip

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