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Discos de vinil resistem em Caruaru

Núcleo SJCC/Caruaru
Núcleo SJCC/Caruaru
Publicado em 26/05/2015 às 8:51
NOTÍCIA
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Vinícius é fã de discos e colecionador
Foto:Elton Braytner
Durante décadas o disco de vinil dominou o mercado fonográfico. Também conhecido como LP (Long Play), esse artigo foi perdendo espaço com a chegada do Compact Disc, ou apenas CD, no início da década de 1990, ganhando maior popularidade a partir de 1995. Mas, se nos dias atuais a música é compartilhada e comercializada rapidamente em nível global por internet e smartphones, ainda existe quem prefira o formato analógico da música. É que mesmo quase extinto, o vinil consegue manter um público fiel. Nos últimos anos, o vinil tem se tornado objeto de cobiça para colecionadores e um novo público, mais jovem. Mais do que relíquias, os vinis também estão sendo opção para muitos artistas, como Pitty, Cachorro Grande e Madonna que lançaram seus últimos títulos também nesse formato.

Em Caruaru, quem precisar encontrar algum LP pode procurar pelo Canto da Música, no centro. Localizado na rua Treze de Maio, a loja foi montada na casa de Cícero Lopes. O negócio começou em 1993, época em que o disco ainda vendia bem. Com a chegada do CD, as vendas de vinil caíram, mas nunca pararam, relembra. A partir de 2000, Ciron (como também é conhecido) relata um acréscimo nas vendas. Afirma ainda que a procura maior é por discos de Rock e Metal, sendo o Forró também muito procurado. Os compradores são jovens de até trinta anos. Mas, de acordo com Ciron, a venda está um pouco baixa pela falta de variedade.

Loja existe há mais de 20 anos em Caruaru
Foto:Elton Braytner
Isso porque os discos são adquiridos através de negociações com outras pessoas que geralmente querem se livrar dos mesmos. Para Ciron, quem gosta de vinil, ressalta a qualidade desse tipo de suporte. O acervo de Ciron conta com mais de 3.500 discos dos mais variados gêneros. Dentre eles o mais raro é o Sub Reino dos Metazoários de Marconi Notaro que está avaliado em 3.000 reais. No estabelecimento ainda são vendidos CDs e livros usados. O proprietário não sabe ao certo informar uma média de vendas, mas explica que os valores dos LPs variam de R$ 5,00 a R$ 200,00, até os R$ 3 mil do vinil de Marconi Norato.

Ainda no centro da cidade, na Travessia Vidal de Negreiros, encontra-se o Túnel do Tempo. O dono do local, e também colecionador, Langestaine Sampaio está no ramo de compra e venda de discos desde 2001. A ideia era unir o hobby de colecionar discos a um empreendimento comercial. Langestaine afirma que o público é em sua maioria jovem e a procura maior em sua loja é por discos de Rock e MPB. Em seu acervo o disco mais raro é o Let Me Sing My RocknRoll do Raul Seixas avaliado em R$ 1.500. O som do vinil é superior ao do CD por que se ouve melhor os graves, explica. A aquisiçao de discos também é feita a partir do contato com outras pessoas, num sistema de compra  vendas. O local ainda serve para encontro de velhos amigos para ouvir música e falar sobre LPs. Nesses momentos, reval o proprietário, o saudosismo impera.

Discos de grandes artistas nacionais
Foto:Elton Braytner
Interesse começa cedo - 
Quando tinha 14, Vinícius Henrique comprou seu primeiro disco de vinil. Alô Malandragem, Maloca o Flagrante, do sambista Bezerra da Silva marcou definitiavmente o início da história do faturista, hoje com 21 anos, como colecionador. Comprei de um andarilho que vendia coisas usadas, relembra. Depois, num dos shows do Abril Pro Rock na cidade de Recife em 2008 comprou um exemplar da banda inglesa Pink Floyd. Com os discos nas mãos, a difucldade foi achar uma vitrola. Depois de um experiência mal-sucedida, encontrou uma que, além de tocar discos, ainda tocava CD, K7 e tinha entrada USB. Desde então a coleção só vem aumentando com diversos títulos. Numa compra online ele já chegou a gastar R$ 535 em apenas 3 discos, estes de artistas atuais que lançam seus albúns em mais de uma mídia. Os exemplares foram The Endless River do Pink Floyd por R$ 210,00, A-Lex do Sepultura por R$ 150,00 e o Audioslave disco homônimo por R$ 175. Numa feira de vinil em Caruaru, em 2013, gastou R$ 200 em seis discos usados. De todos, Vinícius diz sentir um apego especial a The Piper at the Gates of Dawn, o primeiro disco do Pink Floyd que é sua banda favorita. Indagado sobre o interesse pelos LPs, ele explica: É um hobby. O vinil é mais bonito com aquela capa grande. O som da agulha causa nostalgia. O apego é tão grande que pretende deixar os discos como herança para seu filho de apenas 2 anos.

Mas se parece fácil encontrar LPs, difícil mesmo é achar as vitrolas. O único exemplar novo enontrado na cidade está numa loja de eletrodomésticos. Segundo o gerente do estabelecimento, Bruno Alves, a mercadoria foi na verdade uma compra de internet em que o cliente não gostou do produto. A vitrola então ficou na pratileira esperando ser vendida. Bruno diz que a procura para este equipamento é baixa, sendo feita somente no site.

Saudosistas, colecionadores ou interessados numa nova forma de ouvir música compõem o público de fieis seguidores dos famosos bolachões, que insistem em resistir aos avanços da tecnologia.  

SERVIÇO
- Loja Canto da Música
Endereço: Rua Treze de Maio, 221
Horário de Atendimento: das 8:00 às 18:00 horas Seg á Sab
Contato: Ciron (81) 8827-3453

- Loja Túnel do Tempo
Endereço: Travessia Vidal de Negreiros, 10
Horário de Atendimento: das 10:00 às 15:00 horas Seg á Sab
Contato: Langestaine Sampaio (81) 9242-0531

*Texto e fotos: Elton Braytner, da Agência Unifavip de Notícias.

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