Caruaru

Homem que defendeu procurador de agressão fala sobre homofobia: “Covardia”

Núcleo SJCC/Caruaru
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Publicado em 02/06/2015 às 10:23
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Vítima foi abordada por agressores na Rua Frei Caneca
Foto: Diego Martinelly/TV Jornal.
O comerciante que defendeu o procurador de Salgadinho durante uma agressão na noite de abertura do São João de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, falou com o NE10 Interior sobre as agressões e homofobia. Foi uma covardia. Oito ou dez pessoas batendo em um só sem nenhum motivo. Não consigo ver este tipo de coisa, é muito injusto. Ele não tinha feito nada para apanhar. Não sei o que se passa pela cabeça dessas pessoas, disse Wellington de Sá, de 42 anos.

Para defender o procurador, Wellington entrou no meio dos rapazes e acabou sendo atingido por um garrafa de vidro. Estou me recuperando bem. Levei 16 pontos no rosto e talvez precise passar por um cirurgia plástica para retirar a cicatriz. Mas eu faria de novo. Quando vi ele caído no chão, e os outros chutando, um deles ia pegar uma pedra, não pensei duas vezes. Foi um ato que qualquer um pode fazer. Não se pode bater em uma pessoa porque ela é isso ou aquilo. Se ele é gay, é a vida dele, conta.

ENTENDA - O procurador Jaílson Claudino da Silva, de 37 anos, prestou queixa por agressão no domingo (31), após ter sido atacado por um grupo de aproximadamente 20 rapazes. O crime aconteceu por volta das 2h30 do sábado (30), na Rua Frei Caneca, nas imediações do pátio de eventos de Caruaru. A família acredita que o crime teve motivação homofóbica.

Jaílson, que é procurador do município de Salgadinho, que fica 118 km de Recife, viajou para Caruaru para participar de um encontro de ex-alunos da turma de direito da Faculdade Asces, onde se formou em 2002. O encontro ocorreu no Alto do Moura, durante à tarde. Os amigos resolveram esticar a comemoração e seguiram para conferir a abertura do São João de Caruaru, no Pátio de Eventos Luiz Gonzaga.

Na saída da festa, por volta das 2h30 da madrugada, quando integrantes da turma retornavam para um hotel onde estavam hospedados, cerca de 20 rapazes atacaram com socos e pontapés Jailson Claudino da Silva.

Sem motivo aparente para a agressão, a irmã da vítima acredita que o crime teve motivação homofóbica. "Eles apareceram do nada e foram logo agredindo o meu irmão, que é homossexual. Não mataram meu irmão porque um taxista entrou na confusão e conseguiu segurar os agressores. O taxista ficou ferido na cabeça e teve que ser socorrido também por quem passava no local. Foi uma noite de horror", explica Edna Claudino da Silva, irmã do procurador. Além de Jailson, outras três pessoas que estavam com ele foram agredidas.

Jailson Claudino foi levado para una Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em Caruaru, fez alguns exames e em seguida foi liberado. Na manhã deste domingo, o grupo prestou queixa na 1º Delegacia da cidade e fez exames traumatológicas no IML do município.

A Secretaria de Direitos Humanos de Pernambuco foi acionada e encaminhou um psicólogo, que ficou durante todo dia com o procurador e o restante do grupo. "Só espero que este caso não fique impune. É inadmissível que nos tempos atuais ainda existam pessoas que não respeitam o direito dos outros", finalizou a irmã. 

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