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Lagoa dos Gatos, no Agreste, abriga espécies raras de pássaros

Várias espécies de mamíferos, aves, anfíbios e plantas são encontradas na região

O limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi) é um dos pássaros em situação mais alarmante de ameaça de extinção
O limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi) é um dos pássaros em situação mais alarmante de ameaça de extinção (Carlos Gussoni/Divulgação)

O município de Lagoa dos Gatos, no Agreste de Pernambuco, abriga 19 espécies raras de pássaros, únicos do Brasil e do mundo. É que a cidade está inserida numa região conhecida como "Centro de Endemismo Pernambuco", um fenômeno no qual uma espécie ocorre exclusivamente em determinada região geográfica, de acordo com a ornitóloga (bióloga que estuda as aves) Karlla Barbosa, da Save Brasil. 

De acordo com ela, na Serra do Urubu, localizada entre Lagoa dos Gatos e Jaqueira (Mata Sul pernambucana), são encontradas 35 espécies de mamíferos, 261 espécies de aves, 23 anfíbios, 65 briófitas, 130 samambaias, 66 orquídeas e 39 bromélias. Falando especificamente sobre os pássaros, a área abriga 10 espécies globalmente ameaçadas de extinção e 19 espécies endêmicas do Centro de Pernambuco.

Conheça a seguir:

 O limpa-folha-do-nordeste (Philydor novaesi) leva este nome devido ao hábito de procurar insetos entre as folhas. A espécie vive nas bordas de clareiras no interior da floresta. Infelizmente, é um dos pássaros em situação mais alarmante de ameaça de extinção e está quase desaparecido.

Outra espécie endêmica é o zidedê-do-nordeste (Terenura sicki). Este pássaro vive nas copas e geralmente é encontrado junto aos bandos mistos de aves. Também alimenta-se de insetos, como besouros e até baratas.

O cara-pintada (Phylloscartes ceciliae) vive na copa das florestas montanas de Pernambuco e Alagoas. É encontrado em associação com bandos mistos de aves. Também tem insetos em sua dieta.

O Centro de Endemismo do Estado abriga cinco tipos florestais e além das aves; plantas lenhosas, bromélias, sapos e borboletas endêmicas. De acordo com a bióloga Karlla Barbosa, foi através do Centro Pernambuco que ocorreram as trocas bióticas entra a Amazônia e a Mata Atlântica, no período Cenozóico, muitos milhões de anos atras.

Turismo

A reserva Pedra D'anta, em Lagoa dos Gatos, desperta o turismo tanto local como internacional. De acordo com o Secretário de Cultura e Turismo do município, Adeilson Soares, o local tem um programa de visitação guiada que recebe 40 pessoas por dia. 

Para chegar do centro da cidade até a reserva são 9 quilômetros e é necessário subir 2 mil metros de altura, segundo o secretário. Por causa disto, a prefeitura aluga carros mais adequados para acessar a reserva: no valor de R$ 150 para um grupo de 12 pessoas. Chegando ao local, é cobrada uma taxa de permanência, de R$ 5. Estudantes não pagam para entrar. 

Do passeio, o secretário destaca a riqueza de água da região: é possível ver nascentes de rio, cachoeira, barragem, entre outros. "É um passeio de contato com a natureza, para quem gosta é muito bom", afirma Soares. Lagoa dos Gatos também é destino das pessoas que tem o "bird watching" (observação de pássaros) como hobby.

O agendamento pode ser feito através do telefone (81) 99302.9516 (Secretaria de Cultura e Turismo) e pelo e-mail aves@savebrasil.org.br.

Preservação

Organização sem fins lucrativos, a Save Brasil - sediada em São Paulo - realiza o monitoramento da região desde 2005 e conta com uma equipe fixa em Lagoa dos Gatos. Cerca de 1 mil hectares de Mata Atlântica (reservas Pedra D'anta e Frei Caneca) são protegidos e recebem a atuação da sociedade.

Para tentar reverter os danos ao meio ambiente, a organização realiza atividades de educação ambiental na reserva e nas escolas da área, reflorestamento de 35 hectares com 91 espécies nativas, entre outros. Um espaço comunitário que oferece educação ambiental às famílias e alunos de escolas de Lagoa dos Gatos também foi implantado.

De acordo com Karlla Barbosa, a destruição da floresta do Centro Pernambuco é antiga. "É uma consequência de ciclos econômicos, como o do pau-brasil, o ciclo do gado e o da cana-de-açúcar", explica. O grupo observou diminuição em atividades de desmate para extração de madeira para lenhas entre outras ações que degradam o meio ambiente.