História

Caruaruense foi primeiro brasileiro a negociar com a China, diz historiador

Ana Maria Santiago de Miranda
Ana Maria Santiago de Miranda
Publicado em 17/05/2016 às 15:08
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Elias enviou centenas de cartas para conseguir negócio com a China
Foto: Edson Oliveira/Arquivo Pessoal.
As relações comerciais entre Brasil e China tiveram começo em 1970, no período da Ditadura Militar. Um caruaruense foi o primeiro brasileiro a concretizar um negócio com o país comunista, localizado na Ásia. De acordo com o historiador Walmiré Dimeron, a negociação foi iniciada em 1970 e concretizada em 1971.

O comerciante Elias de Oliveira Lima enviou centenas de cartas para a China. Ele tinha conseguido importantes negócios com outros países do mundo, por exemplo, comprou cinco mil rolos de arame da Polônia, por US$ 10 mil, durante a Cortina de Ferro, onde os países eram fechados para comércio. Ele conseguiu, depois de muita espera fechar uma transação de 30 mil dólares com o grupo China Resources Co.

Loja do empresário era referência e tinha produtos exclusivos
Foto: Edson Oliveira/Arquivo Pessoal.
O historiador conta que a chegada das compras do comerciante movimentou o Porto do Recife. Ele comprou chumbo, ferragem, chapa galvanizada e trissulfeto de antimônio, utilizado para fabricar fósforos e fogos de artifício. O que o tornou pioneiro desse comércio no país. Repórteres de várias revistas e jornais lotaram o porto para ver o contêiner vindo do outro lado do mundo. É um caruaruense que marcou a nossa história.

Empresário conseguiu contato com o consulado brasileiro
Foto: Edson Oliveira/Arquivo Pessoal.
Walmiré conta ainda que para conseguir realizar o negócio, Elias precisou viajar para o consulado. Ele foi no consulado dizendo que tinha um contato na China e que ia realizar uma compra, algo impossível de se pensar na época. Ele conseguiu convencer os chineses comunistas a confiar na nossa república capitalista, que estava sob o comando de militares após um golpe. É um feito e tanto.

O filho do comerciante Elias, que morreu em 2009, conta que o pai era um visionário. Ele pesquisava e tinha muito. A loja dele vendia de tudo. Desde pneus, encerados até máquinas. Durante anos, meu pai foi o único importador de papel celofane em resma, que vinha da Argentina, comenta Edson Oliveira de Lima, que administra os negócios da família.

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