Segundo turno

Domingo tem disputa história entre Raquel Lyra e Tony Gel em Caruaru

Ana Maria Mirada
Ana Maria Mirada
Publicado em 30/10/2016 às 6:03
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Tony Gel (PMDB) e Raquel Lyra (PSDB) disputam segundo turno em Caruaru
Fotos: Diego Nigro/JC Imagem
Os eleitores de Caruaru, no Agreste de Pernambuco, decidem neste domingo (30) quem comandará a cidade nos próximos quatro anos: Raquel Lyra (PSDB) ou Tony Gel (PMDB). Atualmente deputados estaduais, ambos protagonizam um segundo turno inédito no município. Na primeira etapa da eleição, a tucana obteve 44,7 mil votos (26,08%), contra 63,6 mil (37,10%) do peemedebista.

No último mês, se empenharam para conquistar os mais de 100 mil eleitores que não votaram em nenhum dos dois. Se vencer, Raquel entrará para a história como a primeira mulher eleita para o Executivo municipal. Tony Gel, se sair vitorioso, será prefeito pela terceira vez. Na cidade, o cenário é de indefinição: a maioria das pesquisas de intenção de voto divulgadas apontam empate técnico, com ligeira vantagem de um ou de outro, a depender do instituto. O acirramento desta eleição, portanto, segue a marca das disputas entre Tony Gel e a família Lyra pela prefeitura.

O confronto político entre os Lyra e Tony Gel começou em 1988, quando o filho do ex-prefeito João Lyra Filho, João Lyra Neto (então PMDB), e o então radialista (à época, do PTB) disputaram a eleição para a Prefeitura de Caruaru pela primeira vez, ambos estreando nas urnas. De acordo com o historiador e professor José Urbano Silva, à época, acreditava-se que a eleição seria fácil para o grupo dos Lyra, já que João Lyra Neto sucederia José Queiroz (então PMDB), que encerrava o primeiro mandato - de seis anos - com mais de 90% de aprovação. "Foi uma disputa acirradíssima e João Lyra Neto foi eleito, em um universo de quase 100 mil eleitores", relembra. A diferença entre os dois foi de 80 votos, de acordo com dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Tony Gel chegou a ir à Justiça pedir a recontagem dos votos - que ainda eram registrado nas cédulas - mas o resultado foi confirmado. Nas eleições seguintes, Tony foi eleito deputado federal por três mandatos consecutivos.

Na prefeitura, João Lyra Neto foi sucedido por José Queiroz, e ao término do mandato do agora pedetista, foi eleito mais uma vez, em 1996. Neste meio tempo, os dois acabaram se desentendendo, por motivos diversos. Queiroz chegou a fazer duras críticas a João em emissoras de rádio. "José Queiroz era como um filho adotivo de João Lyra Filho. Lamentavelmente houve este rompimento, o que naturalmente favoreceu politicamente Tony Gel durante os anos 90", explica o professor. Os dois se reaproximaram em 2016 para apoiar a candidatura de Raquel. Em 2000, Tony candidatou-se novamente à prefeitura, desta vez pelo PFL, disputando com Jorge Gomes (PSB). Naquela eleição, Tony Gel foi eleito com mais de 11 mil votos de diferença do oponente.

Tony Gel e João Lyra Neto voltaram a se enfrentar em 2004, em um pleito novamente marcado pelo acirramento. Segundo o historiador, todas as pesquisas apontavam uma vantagem de João Lyra Neto. Na época, o político concorreu pelo PT - que estava em ascensão com a eleição de Lula - e uma "onda vermelha" tomou conta da cidade. "Teve algo inusitado na política de Caruaru: João Lyra Neto ganhou nos eleitores da cidade [zona urbana], com 5 mil votos a mais do que Tony Gel, só que Tony Gel teve na zona rural 5,7 mil votos. Então essa diferença de 700 votos garantiu a Tony Gel a reeleição em 2004", conta José Urbano Silva. Naquele ano, Tony foi o primeiro prefeito reeleito de Caruaru.

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