Crimes de responsabilidade

Prefeito de Ribeirão e secretários municipais são presos em operação

Ana Maria Santiago de Miranda
Ana Maria Santiago de Miranda
Publicado em 01/12/2016 às 7:43
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Participam do trabalho operacional 85 policiais civis, entre delegados, agentes e escrivães
Foto: divulgação/Polícia Civil
O prefeito de Ribeirão, Romeu Jacobina de Figueiredo (PR), e dois secretários municipais foram presos dentro da operação "Terra Arrasada II", da Polícia Civil de Pernambuco e do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), nesta quinta-feira (1º). Eles são suspeitos de envolvimento em crimes de responsabilidade, uso de documento falso, lavagem de dinheiro e crime organizado com atuação na Prefeitura de Ribeirão, na Zona da Matal Sul do Estado.

De acordo com o procurador do MPPE Ricardo Lapenda, o esquema era realizado no sistema de coleta de lixo no município. "A empresa fantasma que não existia uma sede que comportasse caminhões era de um dos presos; ele trabalhava numa sala minúscula, num prédio na cidade de Ribeirão. Ficava com todo o dinheiro das licitações superfaturadas e contratava, através de um terceiro envolvido que se encontra preso, caçambas que faziam a coleta do lixo com um preço inferior", explicou.

Ainda segundo Lapenda, o prejuízo para os cofres públicos na segunda fase da operação é de aproximadamente R$ 5 milhões. Romeu Jacobina já havia sido afastado do cargo, em outubro, após decisão judicial, como desdobramento da Terra Arrasada I. Outros auxiliares do gestor também foram afastados, na ocasião.

Além dos mandados contra o prefeito e os dois secretários, foram cumpridos outros quatro mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão domiciliar, expedidos pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco. As investigações foram realizadas pelo MPPE, com o suporte do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

Trabalho operacional

Participaram do trabalho operacional 85 policiais civis, entre delegados, agentes e escrivães. A operação é supervisionada pela chefia da Polícia Civil, com o suporte da Diretoria de Inteligência (Dintel) e Coordenação de Planejamento Operacional (CPO). Os presos e materiais apreendidos foram encaminhados ao Departamento de Repressão aos Crimes Patrimoniais (Depatri).

De acordo com o delegado Nelson Souto, gestor do Depatri, seis armas de fogo foram apreendidas na operação, parte no sítio de um empresário e parte na residência dele no Recife. "A abordagem foi tranquila, não houve nenhuma resistência, e a operação foi concluída com 100% de êxito", afirmou.

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