VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER

Levantamento mostra que 25% das mulheres vítimas de tiro morrem em casa

Giliard
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Publicado em 18/01/2019 às 8:47
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Levantamento mostra que 25% das mulheres vítimas de tiro morrem em casa
Foto: Sergio Bernardo/JC Imagem

Estadão Conteúdo Embora os homens sejam maioria absoluta entre as vítimas de armas de fogo no País, o índice de mulheres mortas a tiros dentro de casa é quase o triplo do registrado em relação ao sexo masculino. É o que aponta levantamento feito pelo jornal O Estado de S. Paulo com base em dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, disponíveis no portal Datasus.

O balanço mostra que dos 46.881 homens mortos por armas de fogo em 2017, último dado disponível no sistema, 10,6% morreram dentro de casa. No caso das 2.796 mulheres mortas da mesma forma, 25% foram vitimadas em domicílio.

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A diferença de locais de ocorrência de mortes de homens e mulheres reafirma estatísticas criminais já conhecidas de que boa parte dos autores de violência contra a mulher são do seu núcleo de convivência, como marido, namorado, pais, tios e vizinhos, entre outros.

Para especialistas em segurança pública, a flexibilização do posse de arma no País, definido em decreto do presidente Jair Bolsonaro na última terça-feira, 15, pode agravar o cenário e aumentar o número de feminicídios no País.

A flexibilização da posse de arma de fogo potencializa o risco de todas essas mortes por razões banais. Muitas mulheres morrem por força de conflitos corriqueiros e domésticos. Discussões que hoje terminam num empurrão ou num tapa podem terminar num feminicídio se o agressor tem fácil acesso a uma arma, diz Silvia Chakian, promotora de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Enfrentamento à Violência Doméstica (Gevid) do Ministério Público de São Paulo.

Fator de risco

Ela relata que a posse de uma arma de fogo por um homem com histórico de violência doméstica pode, inclusive, ser usada pela Justiça como critério para a concessão de medidas protetivas a uma mulher. É um fator de risco que pode levar a Justiça a decretar até a prisão preventiva de um suspeito, explica a promotora.

Diretor executivo do Instituto Sou da Paz, Ivan Marques destaca que a análise de boletins de ocorrência de violência contra a mulher mostra que armas de fogo também são usadas por um parceiro agressor para intimidar a vítima. Nesses casos, a mulher fica com mais medo e acaba se submetendo a um relacionamento violento, diz ele.

Foi na casa onde morava com a família, em Andradina, interior de São Paulo, que a jovem Danielle Batista Martins da Silva, de 25 anos, foi assassinada a tiros pelo marido após uma briga, há cerca de dois meses.

O crime foi cometido pelo técnico de futebol Max Alberto Martins da Silva, de 35 anos. Durante uma discussão, Danielle correu para a casa da mãe, que fica no mesmo terreno.

Descontrolado, Max teria ido à casa da sogra e, como não conseguiu se acertar com a companheira, voltou para a residência do casal e pegou um revólver calibre 32. Retornou então para o imóvel vizinho, atirou na testa da mulher e, depois, disparou contra a própria cabeça.

Antes, ainda teria procurado pelos três filhos do casal, que haviam fugido com a avó.

O crime aconteceu no dia 3 de novembro do ano passado e a mulher morreu no local, enquanto que o marido foi socorrido até a Santa Casa de Araçatuba, também no interior paulista, onde acabou morrendo três dias depois.

Ainda abalados pela tragédia, parentes de Danielle evitam fazer comentários. Já os amigos lamentam a tragédia. Alguns atribuem o ocorrido à facilidade do acesso ao revólver naquela ocasião. É o exemplo do que uma arma pode fazer, diz Sérgio Luís Alves, que conhecia o casal. Acho que, na hora da raiva, se você tem facilidade para se armar e não está com a cabeça boa, pode acabar fazendo uma besteira, afirma.

Via Blog do Jamildo

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