IGREJA

Bento XVI atribui escândalos de pedofilia à cultura dos anos 1960

Giliard
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Publicado em 11/04/2019 às 14:28
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Alguns teólogos reagiram nas redes, considerando "incômoda" a análise do papa emérito de 91 anos
Foto: AFP

Os escândalos de pedofilia do clero são resultado da revolução sexual dos anos 1960 e do colapso da fé no Ocidente - afirma o papa emérito Bento XVI em uma análise publicada nesta quinta-feira (11). Neste longo texto publicado no "Klerusblatt", publicação mensal bávara destinado ao clero, o papa saiu de seu silêncio, no momento em que a Igreja se encontra na berlinda pela revelação de escândalos nos Estados Unidos, no Chile, na Austrália e na Europa.

Alguns teólogos reagiram nas redes, considerando "incômoda" a análise do papa emérito de 91 anos. Ele vive recluso em um pequeno monastério da Cidade do Vaticano desde que renunciou ao cargo há seis anos.

Bento XVI explica que a Revolução de 1968 defendeu uma "liberdade sexual" sem "normas", que fazia da pedofilia algo "permitido e apropriado". "Sempre me perguntei como os jovens podiam, nesta situação, ir para o sacerdócio", declarou, ao se referir ao "amplo colapso" da vocação sacerdotal ocorrida nos anos seguintes.

Baseando-se em exemplos de sua Alemanha natal, ele conta a maneira como "o radicalismo sem precedentes dos anos 1960" afetou a formação dos futuros padres nos seminários. O papa emérito constata com amargura uma "sociedade ocidental, onde Deus desapareceu do espaço público" e onde a Igreja é percebida como "uma espécie de aparelho político".

"Por que a pedofilia tomou essas proporções? No fim, isso se explica pela ausência de Deus", convertido em uma "preocupação de ordem privada de uma minoria" de fiéis, continuou.

Na segunda metade dos anos 1980, o assunto da pedofilia voltou à tona para a Igreja, especialmente nos Estados Unidos, e levou progressivamente ao reexame da lei penal do direito canônico e à aplicação de condenações ao clero após processos.

A Igreja se deu conta de que os crimes de seus membros "prejudicavam a fé" que se deve proteger, após ter garantido de maneira excessiva a única proteção dos acusados, dificilmente condenáveis, ressalta o papa alemão.

Suas reflexões se inscrevem no âmbito dos efeitos da cúpula eclesiástica organizada em fevereiro pelo papa Francisco sobre os abusos sexuais de menores por parte do clero.

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