Mudanças

Diminuição de agências bancárias no interior impacta comércio local

Banco do Brasil anunciou que vai transformar 330 agências do País em postos de atendimento avançado

Ana Maria Santiago de Miranda
Ana Maria Santiago de Miranda
Publicado em 01/08/2019 às 15:52
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Reprodução/TV Jornal Interior
FOTO: Reprodução/TV Jornal Interior
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A diminuição cada vez maior de agências bancárias no interior de Pernambuco tem impactado o comércio das cidades. No início da semana, o Banco do Brasil anunciou que vai transformar 330 agências do País em postos de atendimento avançado. Além disto, divulgou que fará um plano de desligamento incentivado aos funcionários, principalmente para os que já têm idade para se aposentar.

Para o secretário do Sindicato dos Bancários de Pernambuco, João Rufino, isto representará uma diminuição dos serviços para a população. "A principal é a perda de importância daquele local, a perda de serviços, a quantidade de funcionários. O que nós vemos de fato é uma desvalorização dos bancos federais para fomentar a entrada cada vez maior dos bancos privados", avalia.

No interior do Estado, algumas agências explodidas por quadrilhas de roubo a bancos não serão reformadas. O atendimento ao público está sendo substituído por postos ou correspondentes bancários. Um exemplo dessas cidades é Lagoa dos Gatos, no Agreste, cuja agência do Banco do Brasil foi arrombada em setembro de 2016. Na ocasião, as portas de vidro foram quebradas e os suspeitos roubaram armas e coletes dos vigilantes. No dia seguinte, voltaram à agência para roubar o dinheiro do cofre.

A agência continua funcionando, porém, apenas para questões burocráticas. Não realiza pagamentos nem recebe depósitos, por exemplo. Isso faz com que a população dependa diariamente dos correspondentes bancários. "Fica muito difícil, porque todos nós esperávamos que reabrisse. E a gente ainda tem que agradecer que tem eles [os correspondentes] aqui para pagar a gente. Se não tivesse, a gente teria que se deslocar para Caruaru e seria pior", conta a professora Lúcia Lira.

A aposentada Josefa Etelvina passa pelo mesmo problema. "É muito difícil, porque quando a gente chegava na agência, recebia, todo o instante que a gente chegava tinha dinheiro. Aqui não tem, aqui a gente fica esperando que um venha pagar um boleto, outro venha fazer um depósito. Não pode ficar dinheiro disponível aí também", lamenta.

"Como a gente não tem essa estrutura gigante como o Estado tem, ou algumas empresas, a gente só traz para cá ajuda, para facilitar para as pessoas a entrada e saída do seu dinheiro. Quando não tem, uns ficam esperando, chegam cedo, de 2h, 3h", conta o funcionário do correspondente bancário Nanias Ferreira.

Comércio prejudicado

Com a suspensão de saques e depósitos, o comércio foi prejudicado. É o que acredita o comerciante José Valdemar. "Tudo que se faz, se não tiver banco na cidade, é prejudicado o comércio. O pessoal sai para uma cidade vizinha e queira ou não queira, deixa o dinheiro lá", lamenta.

O representante comercial Júnior Freire vê da mesma forma: "As pessoas tem que se deslocar para cidades maiores para fazer esse saque, então muitas vezes não voltam no dia para a cidade, então isto está prejudicando diretamente o comércio local". Em nota, o Banco do Brasil informou que as mudanças não irão impactar o atendimento aos clientes, e serão apenas na estrutura organizacional.

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