Desenvolvimento

Distrito Industrial de Caruaru: potencial econômico e problemas estruturais

Toda a renda da área representa 12% do PIB do município.

Carolina Pinto
Carolina Pinto
Publicado em 07/08/2019 às 15:35
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Reprodução/TV Jornal Interior
FOTO: Reprodução/TV Jornal Interior
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São 398 hectares, divididos em três módulos: este é o Distrito Industrial, o maior potencial econômico de Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Toda a renda da área representa 12% do PIB do município. No local, estão concentradas mais de 121 empresas dos ramos de alimentos, metal mecânica, logística, louças sanitárias, entre outros.

Diretamente, mais de 5 mil pessoas trabalham nas diversas fábricas. Em uma empacotadora instalada no distrito, existem 40 empregados diretos. De lá, saem em média 65 mil fardos de arroz por mês, que vão direto para os supermercados de Pernambuco e mais cinco estados. O arroz chega em carretas, é despejado em uma máquina e armazenado. Após serem selecionados, o produto passa pela fase de embalagem.

"Está se desenvolvendo aos poucos, mas está indo bem. Algumas empresas a gente percebeu que estão se instalando aqui no distrito, mas a gente acha que falta um pouquinho mais de estrutura, melhorar o acesso, mas a gente vem conversando com a prefeitura, que nos atende muito bem", pontua o supervisor de unidade Thiago Michels.

Já em uma das maiores distribuidoras do Estado, que fica no distrito, mais de 700 pessoas exercem diversas funções. Entre elas está a de logística, com 140 funcionários. No galpão principal, que tem 30 ruas, existe espaço para 28 mil posições para a locação de produtos, desde perfumaria, produtos de limpeza até alimentos. São distribuídos mais de 200 mil volumes por mês, em 16 carretas, que vão direto para os estabelecimentos comerciais. "Estamos vendo que o Distrito Industrial cresceu muito nestes últimos meses, e as empresas estão procurando sempre espaço para crescer mais, nós notamos já isso", avalia o diretor da Cardeal, Dorgival de Melo.

Mesmo com tanta produção, este ano não está sendo tão bom para a indústria. Segundo dados da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), nos primeiros cinco meses deste ano, 19 mil postos de trabalho foram negativados no Estado. Apesar deste número ser grande, em Caruaru o ramo desativou pouco mais de 90 cargos.

"A economia de Caruaru está um pouco melhor do que o restante de Pernambuco, mas a situação ainda é de gravidade e atribuímos a isso a questão nacional, desemprego elevado, e isso gera falta de demanda para consumir o produto da indústria local", elenca o diretor regional da Fiepe, Andreson Porto.

Com a chegada do segundo semestre, a esperança retoma. Tem empresas que mesmo se recuperando da crise que assolou o País, estão pensando em inovação para conquistar mais lucros. "Nós temos um planejamento estratégico anual pelo qual a gente sai alocando as atividades e a questão de desenvolvimento de produtos e da cadeia de custo também", diz o diretor da empresa Vitamassa, Celso Júnior

O Distrito Industrial é bem localizado e tem como grande vantagem as duas BRs, a 104 e a 232, que cortam os três módulos. Mas logo na entrada do maior potencial econômico, o descaso. O principal acesso está completamente esburacado, obrigando os motoristas a reduzirem a velocidade.

Ruas até hoje não foram asfaltadas. Quando anoitece, alguns pontos não tem nenhuma iluminação. No mês de junho, a prefeitura da cidade anunciou que o local entraria no cronograma da operação Tapa-Buraco, com o investimento de R$ 120 mil. O serviço foi feito, mas não durou um mês.

"A gente está estendendo o Ilumina Caruaru para o distrito, a gente está instalando lâmpadas de LED no distrito para garantir a segurança do ambiente, recapeando algumas ruas, a gente está montando um cronograma de manutenção do distrito como um todo e dando um foco entendendo que cada vez mais precisa olhar para aquele ambiente também", explicou a secretária executiva de Desenvolvimento Econômico de Caruaru.

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