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Manchas de óleo no Nordeste podem afetar a reprodução de baleias e golfinhos

De acordo com o biólogo Marcelo Bezerra, poluição prejudica a respiração dos animais

Mancha de óleo atinge o litoral do Sergipe
De acordo com o biólogo Marcelo Bezerra, poluição prejudica a respiração dos animais (Adema/Governo de Sergipe)

As manchas de petróleo que atingem a região costeira de cerca de 132 praias nordestinas não possuem origem conhecida, entretanto, os efeitos já começam a preocupar biólogos e demais pesquisadores da área. Entre os estados afetados pelo material estão Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Pelo menos oito animais já morreram sufocados.

Com o avanço das manchas de óleo no Nordeste, biólogos acreditam que a poluição possa interferir na reprodução de Baleias e Golfinhos, que procuram a área nesta época do ano. O risco que o material oferece aos animais é grande e pode chegar a matar.

Em entrevista ao Portal NE10 Interior, o biólogo e professor de biologia Marcelo Bezerra, as manchas de óleo na superfície das águas podem afetar a respiração dos animais. "Mamíferos que vão para áreas mais costeiras, principalmente no período de acasalamento ou no período de desova mesmo, onde esses animais vão parir, precisam constantemente da superfície para poder respirar. Então, o grande perigo é para a baleia jubarte, que usa dessas águas do atlântico aqui do Nordeste para poder fazer o seu acasalamento, a sua reprodução. A gente tem golfinhos também que fazem esse processo. Então essa camada de óleo na superfície da água vai comprometer o mecanismo de oxigenação desses animais", comenta.

Ainda de acordo com Marcelo Bezerra, as manchas podem afugentar os animais da região. "Como eles vão ficar inibidos pelo processo de formação de óleo na superfície da água, provavelmente eles não virão para cá e isso vai comprometer o ciclo natural de reprodução, que é um ciclo sazonal, que precisa dessa estação do ano para que esse animal realize esse mecanismo de sua sobrevivência de sua espécie. Tudo isso vai ficar comprometido por causa dessa mancha de óleo", explica.

Em relação aos répteis, como a tartaruga marinha, as manchas apresentam um risco mais imediato ao animal, segundo o biólogo. Uma vez que os animais precisam chegar a praia para realizar a desova, a exposição é maior. "Já está identificado mesmo, a formação de mancha ou a presença desse óleo em cavidades como boca e narina comprometem o nado desse animal e comprometem a sua respiração e alimentação", comenta.

No começo de Setembro, um golfinho foi encontrado morto na praia de Tamandaré, no Litoral Sul de Pernambuco. Segundo informações de banhistas, o animal tinha piche preso ao corpo, mas não há maiores informações sobre o que pode ter causado a morte dele.

Investigações

O caso está sendo investigado pela Polícia Federal (PF). A operação acontece na Superintendência Regional da PF no Rio Grande do Norte e conta com a participação de diversas áreas de combate a crimes ambientais. Serviços de perícia e inteligência, além do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Marinha brasileira, Universidade Federal Rural de Pernambuco e Ministério da Defesa também participam da ação.

O presidente Jair Bolsonaro disse nessa segunda-feira (7) que já existe uma suspeita sobre a origem da mancha, que apareceu no litoral do Nordeste desde o mês passado. Segundo ele, o mais provável é que tenha sido um vazamento causado por um navio e que o produto não é produzido e nem comercializado no Brasil. Perguntado, Bolsonaro disse não poder revelar ainda o país de origem do óleo.

Em laudo divulgado no começo de outubro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama), informou que acredita que a mancha seja de petróleo venezuelano.