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Golfinho é encontrado morto em praia com manchas de óleo

O primeiro mamífero a ser vítima das manchas de petróleo do litoral nordestino

Golfinho tinha manchas de óleo espelhadas pelo corpo
O primeiro mamífero a ser vítima das manchas de petróleo do litoral nordestino (Reprodução/Instituto Biota)

Neste Domingo (13), foi encontrado no município de Feliz Deserto, no sul de Alagoas, o primeiro mamífero morto pela onda de manchas de óleo que vem afetando o litoral nordestino. O golfinho foi encontrado morto com manchas de petróleo na praia alagoana, o mamífero faz parte de uma série de animais afetados pelas manchas de óleo, que ainda tem sua origem desconhecida.

O animal foi encontrado pela equipe do Instituto Biota de Conservação e veterinários foram chamados para realizar uma necropsia no mamífero. O instituto informou ainda que o golfinho apresentava três manchas de óleo em si, mas não tinha presença delas na sua cavidade oral, no seu trato digestivo ou respiratório.

Ainda no domingo, mais manchas de petróleo surgiram no litoral do alagoas, gerando dúvidas sobre se o vazamento ainda está ocorrendo em algum local do oceano. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA),  foram 161 praias atingidas em nove estados da região nordeste.

Não foram relatadas conexões entre esse caso e o aparecimento de um golfinho morto na praia de Tamandaré, no litoral sul de Pernambuco, no começo do mês de Setembro. 

Manchas podem afetar reprodução de animais

As manchas de petróleo que atingem a região costeira de cerca de 132 praias nordestinas não possuem origem conhecida, entretanto, os efeitos já começam a preocupar biólogos e demais pesquisadores da área. Entre os estados afetados pelo material estão Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Pelo menos oito animais já morreram sufocados.

Com o avanço das manchas de óleo no Nordeste, biólogos acreditam que a poluição possa interferir na reprodução de Baleias e Golfinhos, que procuram a área nesta época do ano. O risco que o material oferece aos animais é grande e pode chegar a matar.

Em entrevista ao Portal NE10 Interior, o biólogo e professor de biologia Marcelo Bezerra, as manchas de óleo na superfície das águas podem afetar a respiração dos animais. "Mamíferos que vão para áreas mais costeiras, principalmente no período de acasalamento ou no período de desova mesmo, onde esses animais vão parir, precisam constantemente da superfície para poder respirar. Então, o grande perigo é para a baleia jubarte, que usa dessas águas do atlântico aqui do Nordeste para poder fazer o seu acasalamento, a sua reprodução. A gente tem golfinhos também que fazem esse processo. Então essa camada de óleo na superfície da água vai comprometer o mecanismo de oxigenação desses animais", comenta.