Turismo recorde

196 sonhos: conheça o jovem que viajou o mundo em 543 dias

Anderson Dias entrará para o livro dos recordes pelo feito

Antonio Virginio Neto
Antonio Virginio Neto
Publicado em 26/11/2019 às 12:37
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Reprodução/Instagram 196 sonhos
FOTO: Reprodução/Instagram 196 sonhos
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Se você contasse todos os seus sonhos, quantos você teria? O pernambucano de coração Anderson Dias, de 26 anos, tinha 196 deles e não deixou a falta de dinheiro ou mesmo a fluência linguística atrapalhar os seus planos: ele tomou para si o record de brasileiro a viajar todos os países do mundo mais rápido, em 543 dias. Pelo feito, Anderson entrará no livro de recordes mundiais. Entre festa de aniversário de Neymar, na França, e entrada no país mais fechado do mundo, na Coreia do Norte, Anderson voltou com uma história e tanto para contar.

Entretanto, a vida do recordista nem sempre foi uma aventura internacional. Natural de Salvador, na Bahia, Anderson mudou-se para Caruaru, no Agreste de Pernambuco, quando tinha apenas cinco anos de idade. De origem humilde, o jovem conta que aos 10 anos já trabalhava na feira da sulanca com seus pais. Aos 17, mudou-se para Recife, com o sonho de estudar na capital. Entretanto, o curso escolhido, Turismo, não era muito a praia dele. Imagine a ironia. Anderson ainda tentou estudar economia, mas também não deu certo.

O jovem ficou inquieto e sempre procurando algo em sua vida. Para se sustentar no Recife, Anderson começou a vender capinha de celular nos ônibus da cidade. Com isso, o jovem conseguiu juntar R$ 30 mil e foi fazer intercâmbio na Irlanda. Lá, passou seis meses e na volta, sentia que precisava se algo mais em sua vida. "Estava ganhando bem, mas triste. Precisava de desafios", comentou Anderson em entrevista ao Jornal do Commercio.

Foi aí que Anderson decidiu vender a empresa que possuía e um carro. Segundo ele, os bens eram praticamente tudo o que ele tinha no momento. Com o valor de aproximadamente R$ 130 mil conseguido com as vendas, o jovem iniciou a jornada rumo ao recorde mundial.

196 sonhos

Anderson iniciou a sua jornada na América do Sul, devido a proximidade. E foi pertinho de casa que um dos maiores sustos da jornada aconteceram, na Guiana. "Fui agredido por três homens, à noite. Um deu um soco na minha barriga e o outro me deu um 'mata-leão'. Cheguei a desmaiar e por pouco não morri. Roubaram meu celular e o dinheiro que estava comigo. Mas não pensei em desistir", explicou.

Inabalado, Anderson seguiu viagem e da América do Sul, o jovem passou pela América Central, do Norte e partiu para a Europa. Nessa etapa da viagem, foi na França, que Anderson conseguiu uma das maiores proesas: um convite para o aniversário do atacante do Paris Saint-Germain (PSG), Neymar Júnior. A participação teria acontecido a pedido do cantor Wesley Safadão. Na ocasião, Anderson tirou fotos com diversos jogadores do PSG.

Com o grande sucesso que as fotos do jovem fizeram nas redes sociais, ele começou a ganhar cerca de R$ 40 mil em publicidade. Embora ganhasse bem, Anderson não investia tudo na viagem. “Gastava uns R$ 30 mil e mandava o resto para meus pais”, disse.

Quando Anderson iniciou a viagem, o recorde de volta ao mundo mais rápido pertencia à norte-americana Cassandra De Pecol, que conseguiu realizar o feito em 558 dias. Entretanto, durante a viagem, a americana Taylor Demobreum baixou o recorde para 553 dias. Neste momento, Anderson se viu desafiado. "Aí tive que mudar minha estratégia", explicou.

Seguindo viagem, o jovem conseguiu ainda entrar na Coreia do Norte, na Ásia, um dos países mais fechados do mundo. A aventura passa ainda pelo aluguel de uma AK-47 no Iêmen, na Peníssula da Arábia. “Eles não emitem visto para turista, e me cobraram 100 dólares para emitir meu visto. Quando estava saindo da sala, eles disseram que eu precisava andar com uma arma para me defender. Paguei mais 20 dólares por uma AK-47, carregada. Quando deixei o país, claro, eu a devolvi”, disse.

A emissão de vistos, ainda segundo Anderson, foi um dos seus grandes desafios na jornada. "Fui muito humilhado nas embaixadas. Tomei muito grito. Existe muita corrupção, precisei dar dinheiro e cheguei até a me ajoelhar para conseguir alguns vistos. Na República Democrática do Congo, por exemplo, fui deportado. Fiz uma estratégia de entrar por outra fronteira e paguei US$ 2 mil pela escolta para não sofrer emboscada e garantir a minha segurança dentro do país", aponta.

Em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, Anderson foi tratado como um verdadeiro sheik. “Falta só o dinheiro, porque as roupas e as poses eu já tenho”, brincou, em um post no Instagram.

Ainda na região do oriente médio, Anderson narra um dos grandes choques culturais que ocorreram na viagem. "Lá na arábia, fui comer com a mão esquerda e o cara disse que não podia porque era a mão que a gente limpava a bunda após usar o banheiro com o auxilio de um chuveirinho. Lá, isso é uma falta de respeito. A mão direita é usada para comer e cumprimentar", comenta.

Agora, Anderson quer ser visto como um exemplo. O jovem deseja empreender e pretende compartilhar a sua experiência, viajando os quatro cantos do Brasil, se necessário. Antes, Anderson falava apenas o português. Agora, o jovem fala cinco idiomas (português, inglês, espanhol, russo e francês). Além do conhecimento adquirido na viajem, ele cita também alguns quilinhos a mais. E você, até onde iria para realizar os seus sonhos?

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