Polícia

Ex-delegado, condenado por corrupção, é réu em novo processo

Ele e outros três policiais civis são réus por desvio de dinheiro público e falsificação de documento público

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Publicado em 29/01/2020 às 10:40
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JC Imagem/Arquivo
FOTO: JC Imagem/Arquivo
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O ex-delegado da Polícia Civil Tiago Cardoso da Silva, condenado a 14 anos e sete meses de prisão por crimes ligados à corrupção, está respondendo a um novo processo. Segundo o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), ele e outros três policiais civis são réus por desvio de dinheiro público e falsificação de documento público.

Esses crimes teriam sido cometidos em 2009, quando Tiago ainda era delegado da Delegacia de Crimes Contra a Propriedade Imaterial, conhecida como Delegacia de Combate à Pirataria. A denúncia seguiu em sigilo e só chegou ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) em 2019.

Segundo informações do Ronda JC, as investigações têm relação com a apreensão de 76 botijões de gás. Os materiais deveriam ter sido entregues ao fiel depositário, mas nunca ocorreu – apesar de um documento informar que os botijões foram entregues. O fiel depositário disse para a Justiça que a entrega não foi feita. O documento passou por uma perícia, que comprovou que a assinatura foi falsificada.

Ainda de acordo com o Ronda JC, nenhuma pessoa da delegacia soube explicar o destino dos botijões apreendidos. O MPPE afirmou que há provas testemunhais e documentais para acusar o ex-delegado e os policiais civis que trabalhavam na delegacia. A acusação acredita que os materiais podem ter sido repassados pelos policiais para terceiros.

Os advogados dos réus contestaram as provas, mas a Justiça prossegue com o processo. A audiência de instrução e julgamento do caso está marcada para dia 13 de março, na Vara dos Crimes Contra a Administração Pública e a Ordem Tributária da Capital. Em entrevista ao Ronda JC, o advogado José Augusto Branco, responsável pela defesa de Tiago Cardoso, disse: “Na época do fato, Tiago não participou dessa operação. Ele era delegado adjunto da delegacia e só fechou a parte burocrática. Descobriu-se depois que o fiel depositário negou que recebeu os botijões. O juiz pediu que a delegacia devolvesse, mas a delegacia disse que os botijões estão com o depositário. A perícia apontou que a assinatura de entrega dos botijões foi falsificada, mas não diz que Tiago falsificou".

Tiago Cardoso foi alvo de uma operação da Polícia Civil em março de 2012. Na época, ele era titular da Delegacia de Crimes Contra a Propriedade Imaterial. As investigações afirmaram que o delegado e outros policiais civis lotados teriam articulado um esquema de propina paga por comerciantes chineses para que não fossem apreendidas mercadorias falsificadas, nem fossem instaurados inquéritos. Tiago ficou preso até dezembro de 2012, quando a Justiça concedeu a liberdade provisória. Em 2013, Tiago foi demitido da Polícia Civil.

Quatro anos depois, o ex-delegado foi condenado por corrupção passiva, peculato e falsidade ideológica. Um escrivão e um comissário também foram condenados. Apesar da condenação, a Justiça concedeu a Tiago o direito de recorrer da sentença em liberdade. O processo está sendo analisado pela segunda instância do TJPE.

Com informações do Ronda JC

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