Combate à gravidez na adolescência

Campanha para adiar início da vida sexual pode começar pelo Nordeste

Cidades do Nordeste e do Norte devem servir como "laboratório" para o resto do País

Ana Maria Santiago de Miranda
Ana Maria Santiago de Miranda
Publicado em 04/02/2020 às 10:44
NOTÍCIA
Valter Campanato/Agência Brasil
FOTO: Valter Campanato/Agência Brasil
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Da redação com agências

A campanha "Tudo Tem Seu Tempo", lançada nessa segunda-feira (3) pelo Governo Federal com o objetivo de postergar o início da vida sexual para combater a gravidez na adolescência pode começar pelo Nordeste e Norte do Brasil. A informação é da colunista da Folha de S.Paulo Mônica Bergamo. De acordo com a coluna, a ideia é escolher duas cidades do Nordeste e outra no Norte (que seria a Ilha de Marajó, no Pará) para implantar o plano. Estas localidades serviriam de "laboratório" para o resto do País.

A "Tudo Tem Seu Tempo" foi lançada pela ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. O público-alvo da campanha são jovens de 15 a 19 anos e abaixo de 15.

De acordo com a ministra, serão confeccionadas cartilhas e a arte e a música serão levadas às escolas. "Estamos construindo um plano nacional de prevenção do sexo precoce. Essa ação é só o começo. Existem consequências graves, físicas e emocionais para o sexo antes da hora. Vamos cuidar das ‘novinhas’, e não apenas chamá-las para o sexo", destacou Damares.

Números

O ministro da Saúde destacou que apesar de os números de gravidez indesejada entre 15 e 19 anos terem diminuído em 40%, os dados na faixa etária abaixo de 15 anos permaneceram no mesmo patamar entre 2000 e 2016. "Nós precisamos olhar os números e saber as consequências. É papel de todos que têm uma responsabilidade com os jovens e adolescentes criar uma consciência", disse Mandetta.

Mandetta disse ainda que a orientação educativa para evitar a gravidez infentil deve ser o foco da ação do governo: "O que se diz para uma criança assim [abaixo de 15 anos] a não ser 'tudo tem seu tempo'? Não é idade de medicalizar, de interferir. A discussão é complexa".

O Ministério da Saúde publicou uma nota em que trata a medida como política complementar, junto a outras medidas preventivas e educativas que contribuem para redução dos números de gravidez na adolescência. O programa faz parte da Semana Nacional de Prevenção à Gravidez Precoce, criada pelo Governo Federal em janeiro de 2019. A mensagem estimula o adiamento de relações sexuais e orienta jovens a dialogar com a família e a procurar unidades de saúde antes de iniciar uma vida sexual ativa.

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