Mobilidade

Caruaru enfrenta congestionamentos e problemas no transporte público

Mobilidade urbana tem uma série de questões a serem solucionadas pelo município

Ana Maria Santiago de Miranda
Ana Maria Santiago de Miranda
Publicado em 10/11/2020 às 16:56
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Reprodução/TV Jornal Interior
FOTO: Reprodução/TV Jornal Interior
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Nos últimos 10 anos, a frota de veículos em Caruaru, no Agreste de Pernambuco, cresceu cerca de 70%, de acordo com dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-PE). Em 2010, cerca de 100 mil veículos circulavam pela cidade. Atualmente, este número é de 170 mil. Com o desenvolvimento, também surgiram problemas de mobilidade urbana. No centro da cidade, forma-se grande congestionamento, principalmente em horários de pico.

Também no centro, é cada vez mais difícil encontrar vagas de estacionamento. As vagas na Zona Azul são limitadas, o que faz com que as pessoas precisem recorrer a espaços privados. "É uma preocupação constante, quando a gente vem para o centro da cidade já fica imaginando como vai conseguir estacionar. Até os estacionamentos particulares são lotados", lamentou a comerciante Dilma Lima.

Além da população de mais de 350 mil habitantes, há ainda as pessoas de cidades vizinhas, que procuram a Capital do Agreste para trabalhar, receber atendimento, adquirir produtos, entre outros.

De acordo com o arquiteto e urbanista Bernardo Lopes, os problemas de mobilidade estão atrelados à falta de planejamento. "O que acontece hoje é que as áreas são ocupadas primeiro para depois a infraestrutura chegar. Essa infraestrutura quando chega não chega no melhor traçado, na melhor largura, não prevê faixas exclusivas para ônibus, não prevê ciclofaixa ou ciclovias", lamenta.

Para ele, é ideal que os municípios deem ênfase ao transporte coletivo; às ciclofaixas e ciclovias; ao alargamento de calçadas, entre outros. Ele sugere ainda a transformação da Rua Duque de Caixas no centro, em um calçadão para pedestres.

Quem precisa do transporte coletivo para se locomover enfrenta ainda problemas como a demora na chegada dos ônibus. Algumas linhas chegam a demorar 1h para passar. "São péssimos na minha opinião, porque eles demoram muito, principalmente o do meu bairro. Sempre superlotados e em más condições de uso", disse a assistente social Patrícia Moura.

Na zona rural, também há uma série de problemas. Com a pandemia da covid-19, as alterações no transporte também trouxeram prejuízos. No Sítio Lagoa Salgada, a linha de ônibus passava quatro vezes por dia. Após a pandemia, a linha não passa mais. Grávida de cinco meses, a agricultora Josefa Sueli precisa pegar uma motocicleta e um transporte alternativo para chegar à zona urbana. "A dificuldade é essa, eu tenho que fazer ultrassom, tenho que andar de mototáxi, a doutora disse que não podia estar andando de moto, mas não tem outro jeito, a gente tem que andar".

Acessibilidade

Outro desafio está na questão da acessibilidade. De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há mais de 1 mil eleitores com deficiência física em Caruaru. Muitas calçadas estão em más condições. Para piorar, algumas vias não são asfaltadas, o que prejudica ainda mais. A dona de casa Ana Paula lamenta a falta de estrutura para quem, como ela, precisa utilizar cadeira de rodas: "Calçadas sem acessibilidade, não existem rampas, muito esgoto, até às vezes para o ônibus estacionar é muito difícil".

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