Entrevista

Colchicina e a polêmica de outros medicamentos para Covid-19

Farmacêutico Leandro Medeiros foi entrevistado

Samara Pontes
Samara Pontes
Publicado em 03/02/2021 às 12:30
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Em entrevista ao programa Consultório da Rádio Jornal Garanhuns, nessa terça-feira (02), o farmacêutico Leandro Medeiros, mestre em Inovação Terapêutica, falou sobre os medicamentos que estão sendo utilizados para o tratamento da Covid-19 e o alerta sobre o anti-inflamatório que causou esperança na comunidade científica: a colchicina.

Dando início à conversa, Leandro alertou sobre o uso de medicamentos que fazem parte do chamado “kit covid”, entre eles o antibiótico azitromicina. “Vale lembrar que esse medicamento combate infecções bacterianas, ele não tem atividade viral significativa e muito menos para Covid. Isso já foi demonstrado, ou seja, há prova científica de que ele não funciona”. Outras drogas que estão sendo utilizadas para casos leves da doença são: o antiparasitário ivermectina, a nitazoxanida, além dos suplementos de zinco e vitaminas C e D.

O intuito de um medicamento para tratar Covid seria evitar que o paciente evolua para um quadro mais grave, no entanto de acordo com o especialista, com os medicamentos citados, isto não vai acontecer: “Se nós tivéssemos algo realmente eficaz, comprovado através de estudos clínicos randomizados, então nós poderíamos adotar esse protocolo. O que nós temos, até então, na literatura é que existem sim estudos com essas substâncias, mas eles mostraram que os tratamentos em questão não funcionam”, pontuou.

Já com relação a colchicina, o profissional destaca a esperança nos ensaios clínicos que já apresentam bons resultados. “O estudo da colchicina feito pelo Instituto de Cardiologia de Montreal, no Canadá, mostrou que houve um desfecho favorável em quase 4.500 pacientes avaliados. O interessante é que esse medicamento realmente provocou uma atividade antiviral e mostrou reduzir o número de internações em 25%, a necessidade de ventilação mecânica em 50% e a mortalidade em 44%. Esse é o primeiro tratamento no mundo que demonstrou de forma robusta resultados que diminuíram a evolução dos quadros”.

Embora haja esperança com o anti-inflamatório é necessário cautela com a sua administração: “Se todos os medicamentos já citados aqui têm os seus riscos, a colchicina é muito mais perigosa. Ela apresenta uma probabilidade relativamente alta de provocar eventos cardiovasculares, como arritmias, por exemplo. Este é um medicamento de baixo índice terapêutico, o que significa que você pode sair de um tratamento eficaz para um quadro de toxicidade”, alertou o farmacêutico.

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