Covid-19

Pacientes morrem após transplantes de rim e de pulmão infectados por coronavírus

Especialistas investigam se o vírus foi transmitido pelos órgãos doados.

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Publicado em 26/02/2021 às 17:59
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Agência Brasil
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Duas pessoas morreram após receberam o transplante de rim e de pulmão infectados com o coronavírus. Segundo a revista especializada "American Journal of Transplantation", os pacientes morreram por complicações da Covid-19. Está sendo investigado se o desenvolvimento da doença ocorreu por meio dos órgãos, de doadores para receptores.

O primeiro caso foi observado por especialistas da faculdade de medicina da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. A doadora do pulmão não tinha um histórico de Covid-19 e apresentou um teste negativo por meio da coleta de secreção no nariz e faringe.

No entanto, os médicos relatam que não foi realizado um teste no sistema respiratório inferior, capaz de detectar a presença do vírus no órgão que seria transplantado. O paciente que recebeu o pulmão, três dias após a cirurgia, começou a apresentar febre, pressão baixa e dificuldade para respirar. Ele fez teste para coronavírus e teve resultado positivo.

Um cirurgião, que participou do procedimento, desenvolveu a Covid-19. Assim, os médicos precisaram fazer uma comparação entre os materiais coletados no pulmão antes e após a cirurgia. Assim, eles comprovaram que a doadora tinha o coronavírus e acabou passando para o transplantado.

O segundo caso foi relatado por pesquisadores da Universidade de Calgary, no Canadá. Um homem de 67 anos passou por um transplante de rim e morreu 10 dias após receber o órgão, em 10 de fevereiro. Inicialmente, a causa da morte não foi identificada, mas depois os médicos identificaram partes do coronavírus nos tecidos do rim transplantado e no pulmão do paciente. A proteína Spike, que fica na coroa do vírus, também foi encontrada nas análises.

Estudos sobre transplantes de órgãos infectados

Os estudos a partir destes dois casos apontam que a presença do coronavírus em órgãos transplantados pode ser fatal. De acordo com os pesquisadores americanos, a transmissão inesperada de uma infecção entre doadores e receptores ocorre em menos de 1% dos casos.

"No entanto, a 'doença derivada do doador' está associada a resultados ruins, incluindo perda do órgão transplantado ou morte em cerca de um terço dos receptores. Os patógenos emergentes criam desafios específicos na avaliação de risco da transmissão de doenças. Os agentes infecciosos recentes mais preocupantes incluem a pandemia de influenza H1N1 (2009), vírus do Nilo Ocidental, vírus Ebola e vírus da zika", afirmam.

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