Investigação

UFRPE manifesta apoio à professora intimada a depor em inquérito de outdoors com críticas ao Governo Federal

Em 2020, a Associação dos Docentes da UFRPE (Aduferpe) colocou cartazes que responsabilizavam o presidente pelas mortes causadas pela Covid-19 no Brasil.

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Publicado em 10/03/2021 às 15:27
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A Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) emitiu uma nota manifestando apoio à professora Erika Suruagy, que foi intimada pela Polícia Federal para depor no inquérito que apura a colocação de outdoors com críticas ao Governo Federal.

No comunicado, a Universidade declarou que a manifestação expressa o direito de se expressar. "Reafirma-se o direito legítimo a manifestações públicas, sejam de origem do movimento sindical ou de qualquer outra, ressaltando-se o caráter inconstitucional e inadmissível da censura". 

A professora Erika Suruagy afirmou que o inquérito é uma forma de intimidação e censura. "É um absurdo o presidente solicitar abertura de inquérito à Polícia Federal, diante de uma manifestação legítima, respaldada na Constituição, que é a liberdade de expressão. Na época dos outdoors, o número era de 120 mil pessoas mortas por Covid-19 no Brasil. Hoje, estamos chegando a quase 300 mil mortos. É uma tentativa de silenciamento, censura e intimidação aos professores, cientistas, artistas e intelectuais que se colocam contrários as políticas do governo", declarou.

Entenda o caso

Em 2020, a Associação dos Docentes da UFRPE (Aduferpe) colocou cartazes em um outdoor que anunciavam 'O senhor da morte chefiando o país’, responsabilizando o presidente Jair Bolsonaro pelas mais de 120 mil mortes por Covid-19 no Brasil.

Na ocasião, a Universidade Federal Rural de Pernambuco informou que o presidente Jair Bolsonaro solicitou a abertura de inquérito criminal para apurar a colocação dos cartazes. A professora Erika Suruagy, atual vice-presidenta da entidade, que presidia a Aduferpe na ocasião, foi convocada para prestar esclarecimentos na sede da Polícia Federal.

A Assessoria Jurídica da Aduferpe afirmou que não há base legal para a instauração de um processo. E considera a convocação da professora Erika "uma ação de cunho político do senhor Jair Bolsonaro – numa atitude incompatível com sua condição de presidente da República", concluiu. 

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