Covid-19

À espera de vaga em hospital, homem cria gambiarra com cilindro de mergulho para respirar

Sidnei e sua filha batalharam por um leito em uma unidade hospitalar, que já estava lotada com pacientes.

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Publicado em 12/03/2021 às 12:15
NOTÍCIA
 Caio Cezar/UOL
FOTO: Caio Cezar/UOL
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A luta de pai e filha contra a Covid-19 resultou em uma solução temporária e um tanto criativa. Sidnei Petry, de 46 anos, esperava por um leito no HU (Hospital Universitário), em Florianópolis. A estudante de enfermagem Beatriz, de 22 anos, batalhou por um leito para o pai, que estava à espera no antigo heliponto da unidade hospitalar dentro do carro.

Aos 11 dias de diagnóstico positivo para a Covid-19, Sidnei respirava com menos dificuldade graças a uma gambiarra. Ele pegou emprestado um cilindro de mergulho com um amigo professor e adaptou para fazer nebulização na saída de ar. Mesmo assim, a engenhoca não foi suficiente.

O paciente ficou a cada dia mais com os pulmões comprometidos, chegando a 40% de comprometimento, exigindo mais força para enchê-lo de ar. Com o sistema de saúde de Santa Catarina em colapso pela superlotação dos hospitais, a preocupação de toda a família aumentou.

Atendimento médico

Quando conseguiu ser atendido, Sidnei entrou na sala de triagem com os sinais vitais comprometidos: febre, dor no corpo, tremedeira e dificuldade para respirar. O homem foi acomodado na sala de medicação da emergência que, mesmo sem ser uma UTI, abrigava quatro pacientes intubados.

"Foi muito chocante, porque aquelas pessoas deveriam estar na UTI. Eu tinha de digerir a cena, mas fiquei bem preocupada e chorei", disse Beatriz, que por ser da área da saúde entendia a gravidade da situação.

"Falei: 'Eu te amo pai. Vai dar tudo certo.' Dei o carregador e o celular para ele para mandar notícia", contou a estudante ao UOL. Mesmo sem a garantia da recuperação do pai, como afirmou para ele, Beatriz torce para que ele saia da unidade com vida e participe do seu sonho de se formar e, após a pandemia, se casar.

*Com informações do UOL

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