Paralisação

Cerca de 2 mil prostitutas paralisam trabalhos e pedem prioridade na vacinação contra a Covid-19

Presidente da Associação das Prostitutas de Minas Gerais (Aprosmig), disse que elas precisam da vacina para voltarem ao trabalho com segurança.

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Publicado em 03/04/2021 às 12:17
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Cerca de 2 mil prostitutas paralisaram seus trabalhos em Belo Horizonte, Minas Gerais, nesta semana. Com os hotéis fechados por conta da pandemia do novo coronavírus, e tendo que trabalhar nas ruas, elas querem ser incluídas no grupo prioritário para tomar a vacina contra a Covid-19.

A presidente da Aprosmig (Associação das Prostitutas de Minas Gerais), Cida Vieira, confirmou a paralisação do expediente e informou que não há previsão de retorno. Segundo ela, mesmo com os cuidados que foram adotados, não há condições, no momento, para que os atendimentos continuem sem que haja sequer perspectiva de vacinação. 

"Nosso trabalho é de contato físico diário e com várias pessoas. Somos muito vulneráveis e tínhamos que ser incluídas em algum grupo de risco. Não queremos que nos passem na frente de ninguém, mas que nos vejam com olhos de humanidade", afirmou.

Para Cida, as trabalhadoras sexuais são estigmatizadas, mas também precisam da vacina para voltar ao trabalho com segurança. "Somos tratadas à margem. Convivemos com doenças sexuais, cuidamos de famílias, mas não pensam em nós como um grupo que precisa de cuidados especiais, principalmente na pandemia".

A representante da entidade fez questão de reforçar que as trabalhadoras apenas desejam ser vistas como um dos grupos de risco, e não o prioritário. "A gente só quer ter suporte justo e poder ser consideradas como pessoas que precisam de ajuda, muitas vezes mais que outras, mas não nos colocamos acima nem abaixo de ninguém."

Sobre as mulheres que, por questão de sobrevivência, não puderem parar com os atendimentos, Cida pede que sigam rigorosamente todo o protocolo, exigindo máscaras para clientes e álcool em gel, evitando posições próximas ao rosto.

Prefeitura se posicionou

Após a paralisação, a prefeitura de Belo Horizonte afirmou que tem atuado no enfrentamento da insegurança alimentar de diversos públicos em situação de risco e vulnerabilidade social com distribuição de cestas básicas, segundo critérios socioeconômicos.

Março foi o pior mês desde que começou a pandemia em Minas Gerais. O Estado registrou o segundo maior número de óbitos em 24 horas, com 417 mortes, totalizando 24.332 desde o início da pandemia. A taxa de ocupação dos leitos  para pacientes com a doença chega a 91.96%, conforme a secretaria de saúde de Minas Gerais.

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