biologia

Espécie de peixe invasora ameaça desequilibrar ecossistema após transposição do São Francisco

Os peixes invadiram o Rio Paraíba e podem provocar impactos negativos.

Eduarda Cabral
Eduarda Cabral
Publicado em 06/05/2021 às 8:53
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Uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) em parceria com as universidades federais do Rio Grande do Norte e da Paraíba detalham a proliferação de uma espécie de peixe "invasora" na bacia do Rio Paraíba do Norte. Pesquisadores acreditam que esta espécie tenha chegado ao local a partir da transposição do Rio São Francisco, quando foi identificada pela primeira vez.

A Moenkhausia costae, que é conhecida popularmente como tetra fortuna, ameaça desequilibrar o ecossistema do rio, porque compete com outras espécies nativas. A proliferação da piaba pode ameaçar as espécies nativas. A pesquisa foi publicada no mês de maio na revista “Biota Neotropica”.

As obras da transposição do São Francisco começaram em 2007 e devem acabar em 2022. O projeto conduzido pelo Governo Federal envolve a construção de mais de 700 quilômetros de canais de concreto em dois grandes eixos que perpassam quatro Estados: Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.

Coleta de dados e pesquisa

Os pesquisadores utilizaram alguns métodos para chegar aos resultados encontrados. Foram comparados a composição e frequência relativa de espécies de peixes do açude Poções. Os dados utilizados foram coletados antes e depois da transposição do rio São Francisco.

Esse açude fica localizado na da bacia do rio Paraíba do Norte e foi o primeiro a receber águas da transposição do rio São Francisco, em março de 2017. Os pesquisadores haviam coletado anteriormente em março de 2016, depois, em em julho de 2018 e janeiro de 2020, após a transposição.

De acordo com o autor da pesquisa, Telton Ramos, a espécie foi detectada pela primeira vez em 2018. Foram coletados cinco peixes durante o período chuvoso. Em 2020, foram encontrados 36 peixes em um período de seca. “Nessa amostragem, a Moenkhausia costae foi a terceira espécie mais abundante, o que nos levou a inferir que a espécie está se proliferando no açude”, destacou o pesquisador.

A pesquisa destaca que, apesar da importância da transposição de rios para garantir o abastecimento de regiões secas, estes empreencimentos podem representar uma ameaça à biodiversidade. “A introdução de espécies exóticas é considerada uma das maiores causas de perda de biodiversidade nativa em todo o mundo, levando muitas populações à extinção”, enfatiza Telton Ramos.

O pesquisador destaca ainda que esta análise pode servir como um alerta para futuros projetos de transposição. “É necessário muito cuidado em projetos transposição, para que situações como essa não ocorram com frequência. O projeto da transposição do rio São Francisco previa diversas barreiras que em tese impediriam a passagem de peixes pelos canais, mas pelo jeito, não foram suficientes”, explica.

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