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Após ser presa injustamente, dançarina cria projeto para ajudar encarcerados na pandemia

A jovem reúne suprimentos para levar às pessoas em situação de cárcere.

Eduarda Cabral
Eduarda Cabral
Publicado em 08/09/2021 às 10:20
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Entre as medidas adotadas em todo o país para evitar a contaminação pela Covid-19 está a suspensão de visitas presenciais ao sistema carcerário. Isso faz com que essa população fique sem o suporte da família, o "jumbo", durante este período. Isso fez com que a dançarina Bárbara Querino de Oliveira, conhecida como Babiy Querino, de 23 anos, criasse o Coletivo Mo Wá.

O jumbo é um conjunto de itens básicos para sobrevivência dentro das cadeias que os presos podem receber de seus familiares, como alimentos, produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza, roupas e cobertores. Com a suspensão das visitas, os custos para envio desses suprimentos se tornou inviável para muitas famílias. Babiy, que já teve passagem pelo sistema carcerário, entende o que isso significa. 

A dançarina ficou quase dois anos presa em São Paulo por um crime que não cometeu. A jovem é negra e foi identificada como criminosa por vítimas brancas em dois processos por causa dos seus cabelos. No começo da pandemia, a jovem foi inocentada das acusações e criou a campanha Vidas Carcerárias Importam.

"É preciso, sim, falar daqueles que se encontram privados da liberdade, falar principalmente sobre o quanto o sistema é negligente e como contribui com a propagação de doenças por falta de produto de higiene, limpeza, alimentação decente, cobertores e roupas de frio", disse a dançarina ao UOL.

Um ano após ser absolvida, Babiy disse que percebeu a necessidade de criar o coletivo. "Mo wá em Yorùbá significa Eu existo. "O Coletivo Mo Wá nasce através de uma frase de significado potente e especial para mim. Treze de Maio de 2020 foi quando gritei e tatuei no peito minha existência, quando fui absolvida por um crime que não cometi e mesmo assim paguei! Por isso criei esse coletivo, com ações voltadas ao sistema carcerário e às periferias da zona sul de São Paulo", contou.

Como funciona o projeto?

O coletivo realiza um levantamento e um pré cadastro das famílias que precisam das doações. Além disso, muitas pessoas procuram Babiy via redes sociais ou grupos. "Algumas famílias chegam até mim porque viram o post, outras porque um amigo foi ajudado pela campanha. Eu também faço muitas publicações em grupo com mulheres, mães, filhos do sistema carcerário, então é algo meio que orgânico", contou.

A dançarina conta com a ajuda da amiga Aline Pereira, que higieniza tudo o que recebe ou compra dentro da própria casa e monta o jumbo de acordo com a necessidade de cada preso. Depois embala e identifica com fotos e dados básicos de cada preso e família e envia para elas o código de rastreio. Com o projeto, Babiy diz que já conseguiu ajudar cerca de 300 famílias.

"Pessoas são presas todos os dias, pessoas sentem fome todos os dias, tem famílias que não têm condições de ajudar esses presos, então essa ajuda não pode ser somente durante a pandemia. É muito gasto com viagem e jumbo, muitos não têm essa condição, então entendo todas essas barreiras, a gente pretende continuar com a campanha mesmo após a pandemia", diz ela.

*Com informações do UOL

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