Saúde

Número de casos de lesões misteriosas que causam coceira na pele cresce para 105 no Recife

Situação continua sendo monitorada

Marília Pessoa
Marília Pessoa
Publicado em 22/11/2021 às 6:50
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FREEPIK/IMAGEM ILUSTRATIVA
Os sinais e sintomas mais comuns são lesões na pele e coceira - FOTO: FREEPIK/IMAGEM ILUSTRATIVA
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O número de casos registrados de lesões desconhecidas que causam coceira na pele continua crescendo no Recife. De acordo com nota da Secretaria de Saúde (Sesau) ao JC nesse domingo (21), foram notificados 105 casos e a situação segue sendo monitorada. Segundo a secretaria, o aumento de registros é esperado, já que é natural as redes de saúde se atentarem a casos com sintomas semelhantes.

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Os representantes da Secretaria Executiva de Vigilância em Saúde do Recife, da Secretaria Estadual de Saúde e do Instituto Aggeu Magalhães, unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco, um médico infectologista e um médico epidemiologista se reuniram nessa sexta-feira (19) para discutir os casos.

"Ainda é necessário aguardar resultados de alguns exames laboratoriais dos casos e da análise de ácaros e mosquitos capturados para que seja possível apontar conclusões. Nesta semana, uma nova reunião entre os especialistas deve ser realizada", diz a Sesau. De acordo com ela, não houve registro de agravamentos nos casos das lesões.

Primeiros casos

Inicialmente, foram notificados cinco casos de crianças com lesões cutâneas e coceiras no Córrego da Fortuna e no Sítio dos Macacos. A Sesau informou que os pacientes com a condição têm entre 2 e 96 anos e moram em vários partes da cidade.

"A maioria [dos casos] se concentra em Guabiraba e Dois Irmãos. Estamos investigando várias possibilidades para identificar a causa do problema. As pessoas que apresentam essas lesões estão passando por alguns exames, como hemograma e sorologia para detectar arboviroses, (dengue, zika e chicungunha)", disse a secretária-executiva de Vigilância em Saúde do Recife, Marcella Abath.

A Prefeitura de Camaragibe também está está fazendo a investigação desses sintomas em cerca de 60 moradores que buscaram atendimento no Hospital Aristeu Chaves. De acordo com o diretor em Vigilância em Saúde de Camaragibe, Geraldo Vieira, os primeiros casos surgiram em uma escola municipal no bairro de Ostracil.

Segundo o médico infectologista Demétrius Montenegro, chefe do setor de doenças infectocontagiosas do Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc), os casos notificados não têm um padrão específico. "A variabilidade das lesões é grande. Por isso, identificar a causa não é simples. Mais de 80% das pessoas acometidas apresentam apenas as lesões de pele e a coceira. Uma pequena parcela também relata febre. Isso pode levar a uma superposição de diagnóstico, o que dificulta a investigação. É um trabalho de juntar peças de um quebra-cabeça", explica.

De acordo com a Sesau, foi emitido um alerta para que as unidades de saúde das redes pública e privada façam a notificação de casos ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) do Recife. Os casos já registrados estão sendo avaliados para poder esclarecer a condição e o que pode ter causado.

*Com informações do JC

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