intolerância

Homem é levado à delegacia após pregar na frente de terreiro e tentar 'exorcizar' o local, na Bahia

O homem teria parado em frente ao terreiro com um carro de som para pregar

Eduarda Cabral
Eduarda Cabral
Publicado em 01/02/2022 às 10:13
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Homem usou carro de som para pregar em frente a terreiro - FOTO: Reprodução
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Um homem, que se declara evangélico, foi parar na delegacia após fazer uma pregação em frente ao terreiro de candomblé Ilè Alaketú Asé Omí TOgun, em Vitória da Conquista, na Bahia. Com um carro de som, ele teria interrompido as atividades religiosas do local e, além do som alto, as testemunhas afirmaram que ele tentava "exorcizar" o local. 

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Foi aberto um boletim de ocorrência por discriminação e intolerância religiosa na quinta-feira (27). Uma denúncia também foi feita na Promotoria de Justiça de Combate ao Racismo do Ministério Público baiano, nesta segunda (31).

Durante o ocorrido, havia cerca de 30 pessoas no Ilè Alaketú, no dia 24 de janeiro, de acordo com o UOL. O homem chegou em frente ao local em um Ford Fox preto, acompanhado de uma mulher e uma criança, e utilizava do aparelho de som para dizer: "Jesus salva. Jesus liberta. Jesus transforma".

Pai Loro, fundador do Ilê Alaketú e líder do terreiro há 19 anos, explicou ao UOL que no momento do ocorrido ele e as pessoas do terreiro estavam no meio da cerimônia religiosa. "Ele tirou a nossa paz. Todas as pessoas saíram do terreiro. Eu soube que ele exorcizava todo mundo que chegava no terreiro", disse.

O pai de santo contou que ainda tentou dialogar com o homem. "Ele só fazia pregar a palavra, exorcizava e nos agredia verbalmente. Dizia que éramos 'anticristos', do 'demônio' e que habitamos as 'trevas'. Que ele estava ali para purificar", lamenta. O homem permaneceu durante cerca de uma hora e meia no local.

Repúdio à intolerância

O homem não foi identificado pelo UOL, apesar da denúncia. Na sexta (28), o Comec (Conselho de Ministros Evangélicos de Vitória da Conquista) se manifestou e emitiu uma nota de repúdio em que afirmou não compactuar com atos de intolerância religiosa.

"A liberdade de escolha individual é um princípio bíblico e constitucional, e assim todos são livres para seguir suas crenças religiosas. Continuaremos levando a palavra de Deus com verdade e amor, respeitando o limite e a decisão do outro", diz o texto, que é assinado pelo pastor George Costa Oliveira.

*Com informações do UOL

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