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Após pressão, PL do aborto deverá ter votação adiada na Câmara

Projeto teve urgência aprovada na última semana mas gerou repercussão em todo o país. Autor do texto admite que votação deverá ocorrer após eleições.

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Rodrigo Fernandes

Publicado em 17/06/2024 às 7:41
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Após protestos e pressão interna e externa, o Projeto de Lei que equipara o aborto após a 22ª semana de gestação poderá ter a votação postergada na Câmara dos Deputados. Na última semana, o Legislativo aprovou a urgência na apreciação do texto, o que libera a pauta para votação sem precisar passar por comissões.

O próprio presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), um dos principais alvos de críticas por causa da votação relâmpago da urgência do texto, já sugeriu que a pauta deve ser colocada na geladeira. A expectativa é de que a votação seja postergada para depois das eleições municipais de outubro.

O governo federal, que não se opôs à aprovação da urgência — gesto que foi visto como uma tentativa de não se desgastar com a ala evangélica —, agora busca trabalhar com líderes de bancada para barrar o avanço da proposta.

Desde a aprovação do PL, diversas manifestações em protesto contra o projeto foram realizadas em capitais do país. No sábado, seis cidades receberam atos, incluindo São Paulo e Belo Horizonte. Ontem, foi a vez de Vitória e Palmas. Nesta segunda-feira, o Recife será palco de um movimento, na Praça do Derby.

Autor diz não ter pressa

O autor do projeto de lei, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), da bancada evangélica, admite que a análise no plenário pode ser deixada para o fim do ano, após as eleições municipais.

"Não estou com pressa nenhuma. Votei a urgência e agora temos o ano todo para votar isso. O Lira tem compromisso conosco e ele pode cumprir até o último dia do mandato dele — disse o parlamentar, segundo O Globo.

Ele minimizou os protestos realizados pelo país e criticou a mudança de postura do governo em relação à pauta. "O governo está dando corda para as feministas nesse assunto, elas estão desesperadas. Eu estou muito calmo, deixa elas sapatearem. Eu já ganhei, votamos a urgência, sem nominal, ninguém chiou, tudo caladinho, tudo dominado, dominamos 513 parlamentares. Eu sei jogar parado, eu jogo parado", afirmou.

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